"Ele disse-lhe boa noite e baleou-a na cabeça": sobrevivente de Uvalde recorda como o atacante entrou na sala e falou com professora

9 jun, 09:38

Miah, que ficou ferida nos ombros e na cabeça, recordou como se escondeu e como escapou a Salvador Ramos. Também os pais de Lexi Rubio, que morreu no massacre, foram ouvidos no Congresso dos EUA

Miah Cerillo, de 11 anos, estava na sala de aulas da escola primária de Robb, em Uvalde, quando Salvador Ramos, o jovem de 18 anos autor do ataque, entrou na escola armado. Esta quarta-feira, contou perante o Congresso dos EUA o que viveu na sala de aula em que viu as professoras e os colegas serem mortos a tiro por Salvador, avança a CNN Internacional.

Através de um testemunho pré-gravado, Miah, que ficou ferida nos ombros e na cabeça, recordou que a professora pediu aos alunos que se escondessem depois de ter visto o jovem armado dentro da escola. Quando Salvador entrou na sala, os alunos estavam escondidos atrás das mesas e das mochilas. 

"Ele disse-lhe boa noite e baleou-a na cabeça. Depois disparou sobre alguns dos meus colegas", recordou Miah Cerillo, sobre o momento em que uma das professoras foi morta. O ataque fez 21 mortos, entre os quais 19 crianças.

Depois de ver o que tinha acontecido, Miah diz que se fez de morta e usou o telefone da professora para ligar para o 911 (equivalente ao 112 em Portugal) e chamar a polícia.

"Pensei que ele ia voltar a entrar na sala, por isso peguei no sangue da [colega] e espalhei-o em mim. E fiquei quieta. Não quero que isso aconteça outra vez", afirmou.

"As escolas já não são seguras"

Também o pai de Miah, Miguel Cerrillo, foi ouvido esta quarta-feira e, perante os legisladores, afirmou que a filha não é a mesma menina que era antes do ataque.

"Ela não é a mesma menina com quem eu costumava brincar, correr e fazer tudo, porque ela é a menina do papá", afirmou Cerillo, emocionado. 

O pai de Miah afirmou ainda que espera que, efetivamente, alguma mudança aconteça, porque considera que "as escolas já não são seguras".

"Desejo que alguma coisa mude, não só para os nossos filhos, mas para todas as crianças no mundo, porque as escolas já não são seguras. Alguma coisa precisa mesmo de mudar", reiterou.

Mas Miguel Cerrillo não foi o único pai a ser ouvido perante o Congresso. Felix e Kimberly Rubio, pais de Lexi Rubio, de 10 anos, que morreu no ataque, falaram via vídeo perante a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e apelaram à necessidade urgente de reformar a lei das armas, fazendo um relato emocionado sobre a filha que perdeu a vida no ataque.

"Não queremos que pensem na Lexi apenas como um número. Ela era inteligente, compassiva e atlética. Ela era calma, tímida, a menos que tivesse algo a dizer. Quando sabia que tinha razão, como acontecia tantas vezes, manteve a sua posição. Era firme, direta, de voz inabalável. Por isso, hoje, defendemos a Lexi e, como voz dela, exigimos medidas", afirmou a mãe de Lexi.

Perante o congresso, Kimberly Rubio enumerou várias medidas que espera que os legisladores tenham em conta. Um grupo bipartidário de legisladores está a tentar encontrar um acordo para responder aos tiroreios, mas falta saber se o Congresso irá aprovar a legislação dado o ambiente político e a ampla oposição republicana ao controlo mais rígido das armas.

"Procuramos uma proibição para as espingardas de assalto e cartuchos de alta capacidade. Compreendemos que, por alguma razão, para algumas pessoas, para pessoas com dinheiro, para pessoas que financiam campanhas políticas, que as armas são mais importantes do que as crianças. Por isso, neste momento, pedimos que haja progressos. Procuramos o aumento da idade para comprar estas armas dos 18 para os 21 anos. Procuramos leis de antecedentes, verificação de antecendentes mais rigorosa. Queremos também revogar a imunidade de responsabilidade dos fabricantes de armas", enumerou Kimberly.

O tiroteio em Uvalde é o mais letal nos EUA desde Sandy Hook, no qual 27 pessoas morreram, incluindo o agressor, em dezembro de 2012. 

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