Defesa-central é mestre no capítulo disciplinar, a evitar erros e no número de alívios por jogo. Entre o Chelsea e o Fluminense não teve um decréscimo competitivo... mas apareceram as lesões
Para surpresa de muitos portistas, Thiago Silva foi anunciado no clube neste sábado a custo zero, num regresso sensacional ao clube, 20 anos depois. Após uma carreira bem-sucedida em clubes como Milan, Paris Saint-Germain ou Chelsea, o internacional brasileiro volta a Portugal para, finalmente, estrear-se na equipa principal do FC Porto (só tinha jogado na B).
Mas qual é o real valor acrescentado de Thiago Silva, aos 41 anos, após um ano e meio no Fluminense, do Brasil? O Maisfutebol procurou perceber, com ajuda das estatísticas do Sofascore, se houve algum decréscimo competitivo do jogador entre a última temporada no Chelsea (23/24) e este ano e meio no Fluminense, tendo em conta as estatísticas individuais do jogador.
Olhámos para as principais métricas defensivas e percebemos que, em geral, há uma certa continuidade entre o rendimento no Chelsea e no Fluminense. Porém, o FC Porto vai ter de lidar com uma incógnita - já vai perceber qual.
Brasil: mestre nos alívios e duelos, mas apoquentado por lesões
Após 20 anos na Europa, em que o FC Porto tinha servido de porta de entrada, o defesa brasileiro voltou ao país de origem em 2024 para representar o Fluminense, à data campeão da Taça de Libertadores em título. O momento não era o melhor – quando Thiago Silva se estreou, a 22 de julho, contra o Cuiabá de Petit, o Flu vinha numa série de dez jogos sem vencer. Curiosamente, ganhou 1-0 no primeiro jogo do central.
Os resultados foram bastante inconsistentes, com o Fluminense a acabar em 13.º lugar na tabela do Brasileirão sob o leme de Mano Menezes, atingindo os quartos de final na Libertadores. Nesta edição de 2025, os resultados melhoraram (quinto no Brasileirão) mas a instabilidade no comando técnico manteve-se, com dois treinadores a sucederem a Mano Menezes – Renato Gaúcho e Luis Zubeldia. Sempre com um papel de preponderância para Thiago Silva, quando este estava apto.
O defesa fez 25 de 38 encontros possíveis no Brasileirão, tendo estado parado durante três períodos por lesão neste ano. Perdeu um total de 20 jogos em todas as competições, e talvez esse seja o maior fator de risco desta contratação. Mesmo assim, olhando para este ano e meio na primeira divisão brasileira, Thiago Silva tem registos muito bons.
Em mais de metade das partidas (53 por cento) não sofreu golos. Por jogo, consegue uma média de 5.3 alívios, 3.0 bolas recuperadas e 64.9 por cento de duelos ganhos. Noutros parâmetros defensivos, tem uma média de 0.8 interceções e 0.6 desarmes por jogo.
Na arte de defender de forma limpa, Thiago Silva é um mestre. Nesses 40 jogos nunca cometeu um erro que resultasse em golo ou uma grande penalidade. Viu apenas três amarelos e nenhum vermelho, mesmo no ambiente ‘quente’ do Brasil. Para finalizar, teve uma nota Sofascore média de 7.16, bastante positiva.
Inglaterra: mais jogos, bolas recuperadas e... golos sofridos
Para enriquecer a análise, recuemos um pouco mais atrás. Como é que se comparam estes números de Thiago Silva no Brasileirão àqueles conseguidos na Premier League, que por muitos é considerada a melhor Liga do mundo? Haverá diferenças substanciais?
Em 2023/24, Thiago Silva só perdeu cinco jogos por lesão. Realizou 31 partidas pelo Chelsea na Premier, com 28 deles a titular. Desses, não sofreu golos em apenas seis, mas há que ter em conta aqui o peso do coletivo – a equipa, orientada por Mauricio Pocchettino na altura, ficou em sexto lugar.
Thiago Silva teve uma média por partida de 4.5 bolas recuperadas e 4.8 alívios. Neste último capítulo foi o nono melhor na Premier League. Ganhou praticamente dois terços dos duelos que protagonizou em cada jogo - 64 por cento.
Conseguiu 0.8 interceções e 0.9 desarmes por jogo, cometendo apenas um erro que resultou em golo. E, mais uma vez, jogou limpo. Zero penáltis, quatro amarelos e nenhum vermelho. A sua nota Sofascore média foi de 7.07.
Portanto, os números alcançados tanto no Brasil como em Inglaterra mostram uma certa continuidade. Thiago recupera mais bolas, ganha ligeiramente mais desarmes, mas também faz menos alívios e tem o mesmo número de interceções. No capítulo disciplinar é exemplar, tal como na arte de evitar erros e penáltis.
Qual a moral dos números? Mesmo tendo em conta as diferenças competitivas entre Brasil e Inglaterra não se pode afirmar, assim sendo, que Thiago Silva tenha tido um decréscimo no seu rendimento estatístico, apresentando-se como uma bela contratação a custo zero. Quanto às lesões… é algo para o departamento médico do FC Porto acompanhar.