«Era tão pequeno que o treinador me chamou Nandinho… e nunca mais saiu»

1 dez 2025, 00:02
Nandinho no Al Muharraq do Bahrain (FOTO: Nandinho)

Da alcunha nas camadas jovens ao salto para a formação do Gil Vicente: o treinador recorda como passou de «jogador franzino» a técnico que escreveu uma página na história do Gil Vicente

Era o miúdo magrinho e baixinho da equipa. Foi assim que Fernando se tornou «Nandinho», nome que atravessou uma carreira como jogador e abriu caminho à vida de treinador. Entre cursos feitos enquanto ainda jogava, a experiência marcante no Sindicato de Jogadores e a primeira «viagem» no Gil Vicente — onde levou os juniores ao melhor registo de sempre e os seniores às meias-finais da Taça de Portugal, o técnico de 52 anos esteve à conversa com o Maisfutebol e abriu as portas da história que revela a construção de um técnico que nunca deixou nada ao acaso.

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Maisfutebol (MF): Antes de mais, como prefere que o tratem, Fernando ou Nandinho?

Nandinho (N): Nandinho, é assim que me tratam.

MF: E de onde vem essa alcunha?

N: Quando era mais jovem, nos juvenis do Clube Desportivo de Candal, eu era um dos mais pequenos da equipa, muito franzino, baixinho. Normalmente chamavam-me Nando, diminutivo de Fernando, mas o meu treinador tratava-me por Nandinho por eu ser tão pequeno e magrinho. E ficou.

MF: Teve uma carreira longa enquanto jogador com passagens por Salgueiros, Benfica, Gil Vicente… Quando é que percebeu que queria ser treinador?

N: Quando temos paixão pelo que fazemos, é normal preparar o futuro. Pelo menos eu preparei-me de forma a continuar ligado ao futebol. Enquanto jogador, fui tirando os níveis de treinador, porque na altura era permitido e mais fácil do que é agora. E fui-me preparando para, quando terminasse a carreira, perceber se queria mesmo ser treinador. Às vezes pensamos que sim, mas depois percebemos que não temos o perfil.

MF: [...]

N: Quando terminei a minha carreira, fui formar-me na faculdade e licenciei-me em desporto, para ganhar também algum conhecimento científico e poder juntar isso ao que aprendi empiricamente enquanto jogador. Foi nessa altura que recebi um convite para treinar o Sindicato de Jogadores, na Zona Norte. Gostei muito, apesar de ser um contexto diferente de um clube de futebol. Lá, lidávamos com jogadores que estavam desempregados, que vinham de diferentes níveis competitivos e que procuravam uma oportunidade para continuar a carreira.

Nandinho num treino do Sindicato dos Jogadores em 2022

MF: Até que aparece o Gil Vicente.

N: No segundo ano em que estava a treinar o Sindicato, que era só durante dois meses, junho e julho, recebi o convite para treinar os juniores do Gil Vicente. O Gil Vicente foi o clube onde estive como jogador durante quatro anos e meio, com o qual tinha uma grande ligação. E assim começou a minha carreira como treinador. Passei três anos na formação e depois saltei para a equipa principal.

MF: Como foi o primeiro ano a treinar os seniores?

N: Uma época de altos e baixos, mas tranquila. A equipa tinha descido da Primeira Liga, houve grande reformulação. Fomos buscar muitos jogadores de divisões inferiores e subi seis juniores, não há muitas equipas que o façam. Andámos nos lugares cimeiros até janeiro/fevereiro, no último terço do campeonato, a equipa quebrou um pouco, com algumas lesões e a perda de jogadores influentes.

MF: Mas na Taça fizeram história.

N: Foi a segunda vez na história do clube, em 100 anos, que chegámos a uma meia-final, e isso foi um marco histórico para mim. Estava ligado à história do clube. Já na formação, conseguimos a melhor classificação de sempre do clube em juniores, lutando pelo título até à última jornada. E esse foi o meu início de carreira como treinador, foi mais ou menos assim.

Nandinho assumiu o cargo de treinador do Gil Vicente na época 2015/16

 

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