O técnico fala do orgulho na evolução do antigo avançado de Gil Vicente, Sp. Braga e Sporting e admite um desejo claro: voltar a Portugal… mas só com um «projeto sério»
Na reta final da conversa com o Maisfutebol, Nandinho vira o olhar para Portugal. Fala com orgulho de Paulinho, que «segurou» no Gil Vicente quando o avançado pensava em sair, e confessa que gostaria de o ver em representação da Seleção Nacional no próximo Campeonato do Mundo. O clima de tensão permanente entre os «grandes» e ainda o futuro, com um regresso em mente, mas com propostas nos mercados do Médio Oriente. Para Portugal, é claro: quer treinar a Primeira Liga, mas só com um projeto consistente, realista e que dê «tempo para trabalhar».
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MF: Voltando ao Gil Vicente: «apanhou» um Paulinho ainda jovem. Como vê a evolução dele?
N: Com muita satisfação e orgulho, porque conheço o Paulinho e sei que passou por momentos complicados no Gil Vicente. Quando cheguei ao clube, ele queria sair, tinha jogado pouco e ponderava descer de divisão para jogar mais. Tive uma conversa com ele, expliquei-lhe que poderia ser importante no novo projeto. Foi um dos meus capitães. O mérito da carreira é todo dele: trabalho, qualidade e capacidade de ouvir. Mantemos boa relação até hoje.
MF: Merecia ser opção para o Mundial?
N: Sinceramente, gostava muito que ele fosse à Seleção. Mas não tem sido chamado, não faz parte do núcleo de 30 jogadores que o selecionador fala. Aquilo que ele tem feito justificaria, pelo menos, estar num desses estágios, para o selecionador o conhecer, porque este selecionador nunca trabalhou com ele.
MF: Quais são os seus próximos objetivos na carreira?
N: Continuar a ser consistente aqui. O Al Muharraq é o clube mais titulado do Bahrain, temos responsabilidades internas e a 'Champions 2', onde podemos passar de fase. Queremos dar alegrias aos adeptos, que são muitos e exigentes.
MF: Regressar a Portugal é uma possibilidade?
N: Está sempre nos nossos horizontes. Mas preciso de propostas e que sejam aliciantes e realistas. Aqui tenho tido visibilidade, por isso as propostas aparecem mais destes mercados.
MF: O que pensa do clima de tensão no futebol português?
N: Há sempre tensão entre os três grandes. Quem ganha está bem, quem perde está mal. Mas, no fundo, os que mais se queixam são também os mais beneficiados. Os mais pequenos é que são muitas vezes prejudicados, entre aspas. Com o VAR os erros são menores, mas falta consistência nas decisões: o que é penálti, o que não é… Ainda temos de melhorar.
MF: Qual é o projeto que o faria dizer «sim» imediatamente?
N: Um projeto consistente na Primeira Liga. Nunca treinei a Primeira Liga e gostava de ter essa experiência. Um projeto realista, com tempo para trabalhar. Muitas vezes não há paciência. Mas nesta época até tem havido menos despedimentos, e isso é um bom sinal. Não tenho preferência. Estou preparado para treinar qualquer clube, desde que o projeto vá ao encontro das minhas pretensões.
MF: Voltaria ao Gil Vicente?
N: Podia treinar qualquer clube, sem problemas. Apesar de ter saído de lá de forma que não foi a melhor, mas sou treinador de futebol e estou preparado para tudo. Isto é mesmo assim.