Mar, sol e metralhadoras: México militariza praias de Cancún e Acapulco devido a onda de crimes

6 abr 2023, 21:22

Oito vítimas foram encontradas mortas em regiões turísticas do México desde o começo da Semana Santa

Com a subida das temperaturas, as praias do México enchem-se de residentes e turistas. Entre banhos de água, corpos bronzeados ao sol e o brilho dos protetores solares, um pormenor destoa neste cenário paradisíaco: soldados fardados dos pés à cabeça, passeado pelo areal com metralhadoras na mão.

"Como estão? Estão a divertir-se? Bem, passámos aqui para vos cumprimentar e para que saibam que estamos aqui para o que necessitem", diz um dos militares a um grupo de turistas sentados numa esplanada, na cidade mexicana de Acapulco. A intervenção da polícia num momento de suposta descontração pode parecer estranha, mas é uma medida de prevenção necessária e decretada pelo próprio governo.

Nas últimas semanas, as praias do México tornaram-se lugares de perigo e não de lazer. Tiroteios, cadáveres encontrados dentro de sacos de plástico, corpos em decomposição encontrados em zonas balneares. Foram oito as vítimas encontradas mortas em diferentes circunstâncias, desde o início da Semana Santa, nas regiões costeiras de Cancún e Acapulco. Em resposta, o México militarizou as principais zonas turísticas do país com mais de 8 mil membros da Guarda Nacional, da Marinha e do Exército. Há carros patrulha pelas estradas, lanchas nos mares e helicópteros a sobrevoar as zonas mais tensas, pelo menos até 16 de abril - data em que o fluxo de turistas deverá abrandar, terminada a época de férias.

Os casos de violência e criminalidade não parecem, porém, afastar os turistas - nem a imagem dos soldados vestidos e armados e rigor a desfilar entre os banhistas em fato de banho. A ocupação hoteleira continua a registar números animadores e a impulsionar a indústria do turismo, que poderá fazer mais de 160 mil milhões de pesos (cerca de 8 mil milhões de euros) só durante a Páscoa.

"Os destinos turísticos do país devem ser espaços de segurança pessoal, patrimonial e social, tanto para a população local como para os turistas nacionais e internacionais que nos visitam", tinha já alertado o Conselho Nacional de Empresas de Turismo (CNET), face à recente onda de crimes. "O país e os destinos turísticos não devem e não podem continuar a viver numa atmosfera de violência e insegurança."

Os negócios locais parecem estar mais conscientes da ameaça e fecham mais cedo do que o costume, por volta da hora de jantar. Mas a estratégia de militarização das praias parece ter tido resultados positivos, a julgar pelos turistas que não receiam permanecer nas praias depois do cair da noite, a beber e a gargalhar com amigos - sempre conscientes e tranquilizados pelo olhar atento das patrulhas. 

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