Autocarros incendiados, estradas bloqueadas e confrontos com as autoridades. México em chamas após morte de líder do cartel

CNN
22 fev, 21:34

Nemesio "El Mencho" Oseguera Cervantes, o poderoso e há muito perseguido líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e um dos traficantes mais procurados do mundo, morreu este domingo na sequência de uma operação militar mexicana. O desfecho representa uma vitória significativa para o Governo de Claudia Sheinbaum, que procura apresentar resultados tangíveis à administração de Donald Trump.

Oseguera, antigo agente da polícia, liderava o CJNG, organização que se tornou um dos "grupos criminosos mais poderosos e implacáveis" do México, segundo a agência antidroga dos Estados Unidos (DEA).

A violência eclodiu em vários estados mexicanos após as forças de segurança de diversos ramos federais das Forças Armadas terem levado a cabo a operação na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco. Durante a intervenção, os membros do cartel trocaram tiros com os militares, o que resultou na morte de quatro criminosos no local, informou o Ministério da Defesa Nacional do México.

Oseguera e outros dois indivíduos ficaram gravemente feridos e acabaram por falecer durante o transporte aéreo para a Cidade do México, de acordo com o mesmo ministério. Três militares mexicanos ficaram também feridos na operação, tendo sido transferidos para uma unidade hospitalar na capital para receberem tratamento.

As autoridades mexicanas revelaram que os homólogos norte-americanos forneceram "informações complementares" que serviram de apoio à missão.

Caos espalha-se pelo México

A operação militar desencadeou uma vaga de incidentes violentos em todo o estado de Jalisco — que deverá acolher quatro jogos do Mundial de Futebol em junho de 2026 — antes de se propagar a estados como Michoacán e Guanajuato.

Suspeitos de pertencerem a grupos de crime organizado incendiaram autocarros, bloquearam estradas e envolveram-se em confrontos com as autoridades, relatou o governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro. Imagens obtidas pela CNN mostram vários focos de incêndio e colunas de fumo em Puerto Vallarta, um destino turístico popular na costa oeste do México. Em consequência da insegurança, a Air Canada suspendeu os voos para aquela localidade.

Durante a operação, Lemus apelou aos residentes para que permanecessem em casa e anunciou a suspensão dos transportes públicos em Jalisco "até que a situação esteja controlada". O governador referiu que a violência se estendeu a, pelo menos, cinco estados e instou a população a evitar deslocações pelas autoestradas.

O Ministério da Segurança Pública de Michoacán informou que estão em curso esforços para restabelecer o trânsito após os bloqueios rodoviários. Entretanto, em Guanajuato, as autoridades registaram incêndios em farmácias e lojas de conveniência em diferentes pontos do estado.

"Não há registo de feridos, apenas danos materiais", acrescenta o comunicado, que anuncia ainda o destacamento de uma operação de segurança coordenada entre o Exército, a Guarda Nacional e a polícia municipal.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um aviso de viagem instando os cidadãos americanos a procurarem abrigo nos estados de Jalisco, Tamaulipas e Michoacán, devido às "operações de segurança em curso, bloqueios de estradas e atividade criminosa".

O homem mais procurado do México

Oseguera iniciou o seu percurso no CJNG quando este se separou do Cartel do Milénio, ascendendo na hierarquia até liderar a estrutura criminosa. Sob o seu comando, o grupo expandiu o poder e o controlo em Jalisco e nas regiões circundantes.

As autoridades mexicanas tentavam capturar o líder do cartel há vários anos. Em 2018, a Procuradoria-Geral do México chegou a oferecer 30 milhões de pesos (cerca de 1,6 milhões de euros) por informações que levassem à sua detenção.

Oseguera era igualmente alvo das autoridades norte-americanas, que ofereciam uma recompensa de até 15 milhões de dólares. Em 2022, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou-o de liderar o fabrico e distribuição de fentanil para importação no país. A acusação indicava que a organização está ativa nos estados de Jalisco, Colima e Veracruz, mantendo presença noutras regiões.

Em 2025, o Departamento de Estado classificou-o como "Terrorista Global Especialmente Designado". Numa publicação na rede social X, o subsecretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, descreveu a morte de Oseguera como um "grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo", acrescentando que acompanha as cenas de caos no país "com grande tristeza e preocupação".

Pressão de Trump

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem intensificado a pressão sobre o México para combater o crime organizado, recorrendo a ameaças de intervenção militar e ao aumento das tarifas de importação.

Pouco depois da captura, por parte dos EUA, do antigo líder venezuelano Nicolás Maduro, Trump sugeriu que poderia alargar a campanha militar aos grupos de narcotráfico mexicanos.

A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, rejeitou a ideia de ataques norte-americanos em solo mexicano, classificando-os como uma violação da soberania e da integridade territorial do país. Sheinbaum tem privilegiado uma abordagem direta no combate ao crime organizado através do reforço da cooperação com os parceiros de segurança dos Estados Unidos.

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