Há documentos que as autoridades querem consultar que não estão na sede do município
Estão a decorrer buscas na Câmara Municipal de Mesão Frio, no distrito de Vila Real.
A CNN Portugal sabe que 10 agentes da Polícia Judiciária estão no local a rever os processos de licenciamento de várias empreitadas na autarquia.
Apesar de estarem em causa vários processos, há documentos que não estão na sede do município.
À frente da Câmara Municipal de Mesão Frio está Paulo Silva, que nas últimas eleições autárquicas foi reeleito para um segundo mandato.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara de Mesão Frio, Paulo Silva, confirmou que os agentes da PJ estão hoje no edifício da autarquia, referindo que o caso estará relacionado com contratos de obras públicas e ainda contratação de recursos humanos no mandato referente a 2017 a 2021.
Paulo Silva, que foi eleito presidente em 2021 e 2025 também pelo PS, disse ainda que o município está a colaborar com a investigação da PJ.
Esta autarquia foi liderada entre 2009 e 2021 por Alberto Pereira, eleito pelo PS.
No entanto, Paulo Silva foi vice-presidente de 2013 a 2021 (ou seja, durante 8 anos do mandato do Alberto Pereira).
O atual vereador, e vice-presidente, Fernando Correia, também está no executivo de forma ininterrupta desde 2013.
A busca desta quarta-feira foca-se em processos de obras e licenciamentos. Estão em causa empreitadas de vários milhões de euros com qualidade de execução muito duvidosa (face aos cadernos de encargos): campo de futebol, interface de transportes, zona industrial, pavimentações e muros. Uma das empreitadas tinha trabalhos espalhados por 18 locais diferentes do concelho.
A PJ solicitou processos de obras (empreitadas e particulares) mas a documentação não está nos arquivo municipais - desapareceu ou nunca lá esteve.
A CNN Portugal sabe que há suspeitas de que a elaboração de vários projetos é adjudicada a pessoas com relações diretas com o técnico municipal responsável pela "unidade orgânica de projetos comunitários e de contratação".