Novo estudo revela que terapia hormonal para a menopausa não está associada a maior risco de morte

19 fev, 13:35
Muitas mulheres começam a sentir os sintomas da menopausa durante a perimenopausa. Estes incluem períodos irregulares, fadiga, perturbações do sono, afrontamentos e aumento de peso. MementoJpeg/Moment RF/Getty Images via CNN Newsource

Investigação não revelou um maior risco de morte associado à terapia, mesmo após dez ou mais anos de tratamento

A terapia hormonal para a menopausa, também conhecida como terapia de reposição hormonal (TRH), não está relacionada com um maior risco de morte, segundo um estudo baseado em quase 900 mil mulheres, publicado esta quinta-feira na revista científica The BMJ.

Os resultados do estudo, realizado por investigadores do Hospital Universitário Herlev, em Copenhaga, apoiam as orientações atuais que recomendam a terapia hormonal para aliviar os sintomas da menopausa, como afrontamentos, perturbações do sono, alterações de humor ou depressão.

Nas últimas duas décadas, a utilização desta terapia tem vindo a diminuir devido às dúvidas sobre a sua segurança e por não existir evidência sobre o efeito desta terapia e a sua relação com a mortalidade.

Para o verificar, os autores do estudo procuraram nos registos nacionais dinamarqueses por mulheres nascidas entre 1950 e 1977 que estivessem vivas aos 45 anos, excluindo aquelas com antecedentes de doenças cardiovasculares, doença hepática, cancro da mama, do útero ou do ovário, bem como as que já tinham utilizado terapia hormonal anteriormente ou que tivessem sido submetidas à remoção de ambos os ovários.

O acompanhamento começou no 45.º aniversário de cada mulher e terminou a 31 de julho de 2023 (uma mediana de pouco mais de 14 anos). Também foram tidos em conta fatores de influência como a idade, o número de filhos, a escolaridade, o rendimento, o país onde nasceram e condições subjacentes como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas.

Não existe uma diferença significativa no risco de morte

Das 876.805 mulheres incluídas na análise principal, 104.086 (11,9 %) seguiram terapia hormonal e 47.594 (5,4 %) morreram.

O tempo médio de utilização da terapia foi de 1,7 anos; 41.433 mulheres (4,7 %) tomaram-na durante menos de um ano e apenas 7.337 (0,8 %) durante dez anos ou mais.

Sem considerar os fatores influentes, o risco de morte por qualquer causa nas mulheres com utilização passada ou atual de terapia hormonal foi de 54,9 mortes por cada dez mil pessoas, face a 35,5 mortes por cada dez mil nas mulheres que nunca a tinham utilizado.

No entanto, tendo em conta esses fatores, não foi encontrada uma diferença significativa no risco de morte.

A investigação sobre a duração da utilização desta terapia também não revelou um maior risco, mesmo após dez ou mais anos de tratamento. Também não foram encontradas diferenças entre os grupos quanto a causas específicas de morte, como doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais ou cancro.

Os benefícios específicos da TRH

O estudo observou, contudo, que as mulheres que foram submetidas a cirurgia para remover ambos os ovários entre os 45 e os 54 anos por razões não cancerígenas notaram benefícios significativos ao utilizar terapia hormonal. Segundo a investigação, apresentaram um risco de morte entre 27% e 34%, inferior ao das mulheres do mesmo grupo que não a utilizaram.

Também foi encontrada evidência que sugere que a terapia hormonal administrada através de adesivos cutâneos ou géis apresentava um risco de morte ligeiramente inferior em comparação com a ausência de tratamento, embora os autores sublinhem que esta conclusão deve ser analisada com maior detalhe em estudos futuros.

Por se tratar de um estudo observacional, não podem ser retiradas conclusões exatas sobre causa e efeito, alertam os autores.

Ainda assim, embora reconheçam várias limitações que possam ter afetado os resultados, salientam que se trata de um estudo de grande escala, baseado num registo quase completo e no acompanhamento de quase uma geração de mulheres, no qual os resultados se mantiveram praticamente inalterados após análises de sensibilidade adicionais, o que sugere que são robustos.

Por último, os autores consideram que o aumento significativo da sobrevivência observado entre as mulheres que seguem terapia hormonal após a remoção dos ovários por motivos não cancerígenas “deverá abrir um debate sobre se esta terapia deveria ser oferecida a mais mulheres após este tipo de cirurgia”.

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