GUIA DE VERÃO || A menopausa pode manifesta-se através de vários sintomas. Duas especialistas abordam o tema da menopausa e explicam à CNN Portugal o que leva as mulheres a sentir afrontamentos de calor
“Caracteriza-se pela cessação dos estrogénios e eliminação desta produção pelos ovários da mulher”. Falamos de “um diagnóstico clínico no qual a mulher deixa de menstruar há 12 meses” e que ocorre normalmente entre os 45 e os 55 anos de idade, mas pode também ocorrer antes ou depois. Falamos da menopausa, provocada por um "hipoestrogenismo".
Um diagnóstico que pode ter impacto especial no verão, quando os sintomas vasomotores podem agravar-se com o aparecimento de altas temperaturas. “É evidente que todos nós sofremos com este calor. E estas temperaturas muito elevadas, têm impacto nos nossos órgãos. E portanto, uma mulher que está em menopausa e que já tenha muitas queixas de calor, pode ser mais difícil de lidar”, diz a coordenadora do coordenadora da Unidade de Ginecologia do Hospital Lusíadas Porto, Susana Maia.
“Se a mulher deixar de menstruar entre os 40 e os 45, nós consideramos que é uma menopausa precoce. Se for abaixo dos 40, consideramos que é uma falência ovárica prematura, que é uma coisa diferente”, acrescenta Susana Maia, acrescentando que, “se não houver contraindicações, a mulher tem mesmo uma recomendação para fazer terapêutico hormonal.”
Outro sintoma que se pode agravar durante os períodos de altas temperaturas e de ondas de calor são as insónias. “Mesmo quem não está na menopausa, quando está muito quente, quase não consegue dormir e descansar”, refere a médica Irina Ramilo, que acredita que “a sintomatologia vasomotora e eventualmente as insónias é o que acaba por se repercutir mais nesta altura do verão e destas ondas de calor maiores”.
Susana Maia esclarece ainda que “acima dos 55 não há problema, porque se a produção de estrogénio protege a mulher das doenças cardiovasculares e da osteoporose, quanto mais tarde, melhor. Portanto, não há aqui um problema de maior nessa situação.”
A menopausa pode trazer consigo sintomas como atrofia vulvovaginal, secura vaginal, que pode levar à dor no ato sexual ou sensação de que tem uma infeção, irregularidades menstruais, alterações de humor, irritabilidade, síndromes depressivos, cansaço, insónias, afrontamentos de calor, risco de doenças cardiovasculares e osteoporose.
Mais de 80% das mulheres sofre com afrontamentos de calor durante a menopausa. Nas palavras da ginecologista e obstetra Irina Ramilo, é “a manifestação física mais exuberante.”
“Nós atualmente enquadramos os calores, os afrontamentos, os fogachos, num síndrome que se chama o síndrome vasomotor, é algo que transtorna muito a mulher, mas cada uma é única, nenhuma vai ter uma menopausa igual à da outrae, portanto, realmente há mulheres que sofrem muito com estes calores, mas a menopausa é muito mais do que os calores, do que este síndrome vasomotor”, sublinha a ginecologista Susana Maia.
A especialista Irina Ramilo, autora da página @aginecologistadamelhoramiga, afirma que “não significa que todas as mulheres na menopausa tenham estes calores, mas é a sintomatologia mais predominante e que normalmente implica menor qualidade de vida porque a pessoa muitas vezes fica vermelha, sente-se mal socialmente e implica muitas vezes o vestir, o despir, o leque, o abanar”.
É normal que durante os períodos quentes este sintoma se manifeste de forma mais intensa e “por isso é que as mulheres às vezes na menopausa até sentem mais no verão do que no inverno”, aponta Irina Ramilo.
O que leva as mulheres a sentirem calores durante a menopausa?
O estrogénio tem a capacidade de regular o sistema termorregulador das mulheres e, tendo em conta que durante o período da menopausa há uma diminuição da produção de estrogénio, consequentemente o “sistema termorregulador fica desequilibrado e as mulheres têm esses calores associados”, explica Irina Ramilo.
Além das altas temperaturas, situações de stress, alguns alimentos, nomeadamente os mais picantes, podem intensificar o calor sentido pelas mulheres durante esta fase.
Ainda que varie de mulher para mulher, “uma mulher acaba por ter, efetivamente, muita sintomatologia vasomotora, pode sentir em qualquer hora do dia”, refere Susana Maia. Normalmente os afrontamentos de calor têm um maior impacto durante a noite, acrescenta Irina Ramilo, algo que vai afetar também a qualidade de sono das mulheres, podendo provocar insónias e despertares, que tem que ver com questões hormonais.
Que estratégias podem ajudar a controlar os sintomas durante a menopausa?
De um modo geral, as especialistas indicam que se tiver um estilo de vida mais saudável, no qual inclua a prática de exercício físico, uma boa alimentação, hidratação adequada, diminuição de substâncias tóxicas, nomeadamente o tabaco, pode ajudar a controlar os sintomas durante a menopausa. Ainda assim, a ginecologista Susana Maia deixa a ressalva: “tudo o que sejam estilos de vida mais saudáveis podem ajudar aqui a controlar, mas algumas mulheres fazem isto tudo e mesmo assim não conseguem controlar. E por isso é que nestas, isto é mesmo muito variável.”
Estar em ambientes mais frescos, utilizar leques ou ventoinhas, optar por bebidas frescas, vestir-se por camadas, “para ter capacidade de se ir despindo”, podem ser estratégias que ajudam na questão dos afrontamentos.
No entanto, conforme menciona Susana Maia “o que tem mais impacto vai ser a terapêutica. Nas mulheres que sofrem mesmo muito de calor, vai ser aqui a terapêutica hormonal que vai ter aqui impacto, que elas notam uma melhoria imensa.”
A administração de estrogénios nas mulheres, com o devido acompanhamento médico, pode, segundo Susana Maia, ser uma forma de aliviar os calores sentidos. “A terapêutica que melhor resolve esta síndrome vasomotora é a toma de hormonas, nomeadamente do estrogénio”. Ainda que possa ter alguns fatores de risco, o que pode levar a algum tipo de contraindicação em alguns casos, a terapêutica hormonal com estrogénios “melhora significativamente”.
Irina Ramilo refere também que “a terapêutica médica, nomeadamente a terapêutica hormonal melhora cerca de 75% destes calores ao fim de 4 a 12 semanas e costuma melhorar francamente esta sintomatologia”.
