O seu caso foi um dos que alimentaram uma teoria da conspiração sobre uma série de mortes e desaparecimentos de pelo menos 10 pessoas ligadas à investigação científica dos EUA, entre as quais o físico português Nuno Loureiro
Os restos mortais de Melissa Casias, dada como desaparecida há quase um ano, foram encontrados numa floresta do Novo México, confirmaram as autoridades americanas.
Na passada quinta-feira, um caminhante alertou para a existência dos restos mortais na Floresta Nacional de Carson. Também foi encontrada uma arma de fogo nas proximidades. O Gabinete do Investigador Médico do Novo México identificou positivamente o corpo como sendo de Melissa Casias, informou a polícia estadual num comunicado. A causa e a forma da morte ainda não foram determinadas e a investigação continua.
"É muita informação para assimilar, estamos de coração pesado e tencionamos continuar a procurar respostas em nome da justiça", afirmou a família num comunicado publicado no Facebook.
A assistente administrativa no Laboratório Nacional de Los Alamos, na altura com 53 anos, desapareceu em 26 de junho do ano passado, depois de ter visitado uma filha - não regressou a casa nem voltou ao trabalho. "A família descobriu mais tarde que os seus pertences pessoais, incluindo a bolsa, documentos de identificação e telemóveis, tinham sido deixados para trás, o que suscitou preocupação com o seu bem-estar e levou a uma investigação de pessoa desaparecida", explicou a polícia.
Melissa Casias foi a segunda pessoa a trabalhar naquele laboratório a desaparecer no ano passado, após o desaparecimento de Anthony Chavez, de 78 anos, em maio.
O seu caso foi alvo de várias especulações e alimentou uma teoria da conspiração sobre uma série de mortes e desaparecimentos de pelo menos 10 pessoas ligadas à investigação científica dos EUA, entre as quais o físico português Nuno Loureiro, professor no MIT, morto a tiro à porta de casa em Boston por um ex-colega de curso.
A teoria sugeria que as mortes e desaparecimentos destas pessoas estavam ligados ao seu trabalho. Antes do seu desaparecimento, Casias, de 53 anos, trabalhava no Laboratório Nacional de Los Alamos, onde se realiza investigação nuclear defensiva de ponta e onde foram desenvolvidas as primeiras armas atómicas do mundo durante a Segunda Guerra Mundial.
Entre os "cientistas desaparecidos" estão um general reformado da Força Aérea, um engenheiro e um conservador, pessoas que trabalhavam em áreas diversas, desde a farmacêutica à investigação espacial.
"Relatos públicos levantam questões sobre uma possível ligação sinistra entre uma série de mortes e desaparecimentos misteriosos que teve início em 2023", escreveram o presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, James Comer, e o deputado Eric Burlison, num comunicado em que solicitavam informações às agências federais.
O interesse pelos "cientistas desaparecidos" atingiu tal intensidade que a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA e o FBI anunciaram investigações sobre os casos. O presidente dos EUA, Donald Trump, também se pronunciou, referindo-se aos desaparecimentos e mortes como "assuntos bastante sérios".
Entretanto, foram conhecidos mais detalhes sobre algumas mortes, que contrariam a teoria da conspiração. Um investigador morreu de doença cardíaca, outro morreu num aparente suicídio, depois de ambos os seus pais terem morrido repentinamente com poucas horas de diferença.
Para já, a polícia não conseguiu estabelecer qualquer ligação entre o desaparecimento e a morte de Melissa Casias e os outros casos.
