Em causa está uma investigação com cerca de dois anos que visava o desmantelamento de uma rede organizada de tráfico de estupefacientes com ramificações internacionais
Onze dos 20 detidos na sequência da megaoperação desencadeada pela Guarda Nacional Republicana (GNR) ficaram em prisão preventiva — incluindo o cidadão português ouvido em Espanha — enquanto os restantes nove aguardam julgamento sujeitos a Termo de Identidade e Residência (TIR) e apresentações semanais às autoridades.
Os suspeitos começaram a ser ouvidos na quinta-feira, tendo os interrogatórios terminado esta sexta-feira no Tribunal Judicial de Sintra, onde foram aplicadas as respetivas medidas de coação.
A operação policial decorreu na quarta-feira, em território nacional e espanhol, e culminou na detenção de 20 pessoas — três mulheres e 17 homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 55 anos — nos concelhos de Mafra, Sintra e Setúbal.
Em causa está uma investigação com cerca de dois anos que visava o desmantelamento de uma rede organizada de tráfico de estupefacientes com ramificações internacionais. Segundo foi apurado, a droga era adquirida em solo espanhol, na zona de Cádiz, por um cidadão português com residência em Espanha, sendo posteriormente transportada de carro até à região de Lisboa, onde era armazenada e distribuída por vendedores em todo o país, chegando a consumidores de vários perfis.
No âmbito da operação, foram cumpridos vários mandados de detenção, incluindo um mandado de detenção europeu executado em Espanha, com a colaboração da Guardia Civil, bem como diversas buscas domiciliárias e não domiciliárias, algumas em território espanhol.
Da ação resultou a apreensão de cerca de 60 quilos de haxixe, além de cocaína, canábis e drogas sintéticas, bem como avultadas quantias em numerário. Foram ainda apreendidas armas de fogo, armas brancas, munições, viaturas, equipamentos de vigilância, balanças de precisão e outros materiais associados à atividade ilícita.
Ao longo dos dois anos de investigação, as autoridades já tinham apreendido centenas de milhares de doses de diferentes tipos de estupefacientes, dinheiro, viaturas de gama alta e diverso equipamento alegadamente utilizado pela organização criminosa.
A operação contou com o reforço de várias valências da Guarda Nacional Republicana, bem como com o apoio da Polícia de Segurança Pública e do Instituto Nacional de Emergência Médica, refletindo a dimensão e complexidade da investigação, que envolveu uma estreita cooperação entre autoridades portuguesas e espanholas.