Da Inteligência Artificial à crise de talento: o que está a preocupar os CEO?

25 out 2024, 11:02

Líderes das empresas, dispostos a assumir riscos na aposta nas novas tecnologias, não escondem a preocupação na renovação das equipas de trabalho face ao envelhecimento das populações.

Mais de metade dos CEO investiria em Inteligência Artificial (IA) “independentemente das condições económicas”, num crescente reconhecimento do potencial da IA para aumentar a eficiência e a produtividade, melhorar as competências da força de trabalho para a preparação futura e aumentar a inovação organizacional. Isto apesar de apenas 38% dos CEO estarem confiantes de que os funcionários das suas empresas têm as competências certas para aproveitar plenamente os benefícios desta tecnologia.

Estas são algumas das conclusões do estudo “CEO Outlook 2024”, apresentado pela KMPG e realizado junto de 1325 CEO’s a nível mundial (entre eles, 50 portugueses).

A aposta nas novas tecnologias é uma tendência crescente, com 58% dos CEO em Portugal a assumir que estão a priorizar o investimento em tecnologia na estratégia de crescimento e transformação nas organizações. Apesar das questões éticas e de falta de regulamentação, existem ainda preocupações relativamente ao risco de despedimentos, mas 76% dos CEO acreditam que a IA não vai reduzir o número de trabalhadores nas empresas nos próximos três anos. Sublinha o CEO da KPMG, Vítor Ribeirinho, esta é “uma oportunidade de requalificar os trabalhadores e até de transformar o que faziam no passado em algo mais interessante no futuro”.

A “assustadora” crise de talento

“Em 2022, já erámos a população que estava a envelhecer mais rapidamente na União Europeia”. O alerta para o “problema demográfico” de Vítor Ribeirinho é para Portugal, mas a preocupação estende-se aos CEO a nível mundial. Um terço dos líderes das empresas assumem estar preocupados com o número de colaboradores em idade de reforma e como vão substituí-los: “É assustador, sobretudo quando questionamos como vamos conseguir capacitar, de forma sustentável, as nossas equipas.”

64% dos CEO concordam que as organizações devem investir no desenvolvimento de competências e na aprendizagem ao longo da vida para ajudar a salvaguardar o acesso a futuros talentos. Mas também é necessário “dar um contributo positivo na regulamentação da captação de talento que vem de fora”, destaca o CEO da KPMG: “É fundamental que tenhamos a consciência de que é incontornável criar condições para que o talento que vem de fora… É talento válido e necessário para a sustentabilidade do país”.