Fontes dentro do Ministério da Saúde revelaram à revista TIME que só nos dias 8 e 9 de janeiro, os mais duros dos protestos, morreram milhares de pessoas
Os números de mortos nos protestos que eclodiram no Irão já eram os mais altos de sempre durante a vigência da República Islâmica, mas os dados reais podem brutalmente superiores aos oficiais.
De acordo com a revista TIME, que cita dois altos responsáveis do Ministério da Saúde do Irão, cerca de 30 mil pessoas terão perdido a vida só nos dias 8 e 9 de janeiro, os mais violentos da onda de protestos que começou por causa de uma grave crise económica e financeira.
Os dados da revista inglesa vão ao encontro dos números avançados pela Iran International, uma página independente ligada à oposição iraniana que apontou para 36.500 mortos provocados pelas ações das forças de segurança.
De acordo com aquela publicação, os dados são baseados numa compilação de “documentos classificados, relatos do terreno e testemunhas de pessoal médico”, além de outras testemunhas e familiares de vítimas.
A confirmarem-se estes dados, os números de vítimas mortais são brutalmente superiores aos oficiais. Em concreto, são 10 vezes superiores, já que o último balanço do regime, avançado a 21 de janeiro, apontava para 3.117 mortes, o que já seria sempre muito superior ao que aconteceu em 2022, quando a morte de Mahsa Amini às mãos da chamada polícia da moralidade levou a violentos protestos que causaram 550 vítimas mortais.
Sem haver um relato certo de quantos mortos existem nas ruas do Irão neste momento, as várias imagens que vão sendo publicadas nas redes sociais apontam mesmo para um cenário caótico. Uma delas surgiu à porta do Instituto de Medicina Legal de Teerão, que ficou com dezenas de sacos para cadáveres espalhados junto à porta, enquanto as famílias percorriam a rua para tentar perceber se conheciam alguma das vítimas.
De recordar que o presidente dos Estados Unidos chegou a prometer que havia "ajuda a caminho" do povo iraniano na fase mais negra dos protestos, que chegaram a deixar o país num apagão total, sem quaisquer acessos às redes de Internet ou de telefone. Donald Trump acabaria por descartar a opção militar depois de o regime de Teerão lhe ter garantido que não ia enforcar manifestantes, mas, caso estes números se confirmem, a Casa Branca poderá ser obrigada a repensar.
Em todo o caso, vários relatos vão apontando que um porta-aviões norte-americano se está a mover para junto do Irão, o que pode indicar a iminência de um ataque ao país.