Arábia Saudita avisa que vai tomar todas as medidas necessárias para neutralizar qualquer ameaça
A Arábia Saudita acusou publicamente os Emirados Árabes Unidos (EAU) de ações “extremamente perigosas” no Iémen, ao mesmo tempo que conduziu ataques aéreos “limitados” no porto de Mukalla, esta terça-feira de manhã, na sequência de acusações de que dois navios dos EAU teriam entregue armas e veículos de combate às forças separatistas.
Em comunicado, o ministério saudita dos Negócios Estrangeiros classificou as “medidas” tomadas pelos EAU como uma ameaça à sua segurança nacional, numa escalada que põe em evidência o agravamento do fosso entre os parceiros mais estreitos da região.
A declaração saudita foi emitida momentos depois de um discurso do chefe do Conselho Presidencial do Iémen, Rashad Al Olimi, um órgão apoiado pela Arábia Saudita, que acusou os EAU de “dirigirem” forças para “se rebelarem contra a autoridade do Estado” e de “escalarem militarmente” no país.
“O Reino sublinha que qualquer ameaça à sua segurança nacional é uma linha vermelha, e o Reino não hesitará em tomar todas as medidas necessárias para confrontar e neutralizar qualquer ameaça desse tipo”, diz o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita.
A CNN contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos para comentar o assunto, mas não obteve resposta.
No início deste mês, o Conselho de Transição do Sul (STC), apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, lançou uma ofensiva que assumiu o controlo de províncias-chave no Iémen - uma medida que enfureceu o governo apoiado pela Arábia Saudita, que diz que a ação militar fragmentou uma batalha contra as forças Houthis apoiadas pelo Irão no norte.
Grupos aliados do STC invadiram a província de Hadramout, rica em petróleo, reivindicando um total de oito províncias e renovando os apelos para que o sul do Iémen se separe como um Estado independente.
Entretanto, os grupos apoiados pela Arábia Saudita no Iémen apelaram a todas as forças dos EAU para que abandonassem o território iemenita no prazo de 24 horas e puseram termo a um pacto de defesa com os EAU.
Não se sabe ao certo quais as forças dos EAU que se encontram atualmente no Iémen.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos - ambos gigantes petrolíferos vizinhos - são dois aliados próximos e parceiros fundamentais dos Estados Unidos que controlam triliões em ativos globais.
Antes da escalada, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apelou à diplomacia e à contenção na semana passada.
"Os Estados Unidos estão preocupados com os recentes acontecimentos no sudeste do Iémen. Apelamos à contenção e à continuação da diplomacia, com vista a alcançar uma solução duradoura. Estamos gratos pela liderança diplomática dos nossos parceiros, o Reino da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, e continuamos a apoiar todos os esforços para fazer avançar os nossos interesses comuns em matéria de segurança", afirmou no X.
Os dois países estiveram unidos, juntamente com o Bahrein e o Egito, na imposição de um bloqueio ao Catar, outro país do Golfo, que durou mais de três anos, marcando a mais grave crise recente no seio do bloco árabe. Os Emirados Árabes Unidos também apoiaram a Arábia Saudita na guerra no Iémen, antes de se retirarem em 2019.
Mais de uma década de guerra no Iémen transformou o país numa das piores crises humanitárias do mundo. Os anos de luta agravaram a crise económica do país e destruíram os serviços sociais.
Nadeen Ebrahim, da CNN, contribuiu para esta reportagem