Zero limitações em bares e discotecas e máscara só em alguns casos: o alívio de restrições proposto pelos especialistas

16 fev, 11:40

Pneumologista Raquel Duarte afirma, na reunião do Infarmed, que estão reunidas as condições para reduzir as medidas de combate à covid-19 e apresenta dois níveis de restrições. Contudo, lembra que “é preciso manter a vigilância”

Os especialistas reuniram-se com o Governo, esta quarta-feira, para discutir a situação da pandemia de covid-19 e foram unânimes: Portugal está em condições de avançar com o alívio das restrições.

Raquel Duarte, especialista da ARS Norte, comparou as medidas atuais com os níveis de restrições na União Europeia e no Reino Unido e concluiu: "Portugal é um dos países que tem menos medidas restritivas, tendo apostado em medidas como o uso de máscaras".

Frisando "fatores protetores" e "ameaças" à população, a médica pneumologista salientou que "estamos em situação de passar ao nível de menos medidas restritivas":

Nível 1

Testagem: manter o modelo de vigilância, com testagem em população de maior vulnerabilidade, funcionários de pré-escolar, locais de maior risco de transmissão, sintomáticos em contexto de diagnóstico

Máscara obrigatória em:

  • locais interiores públicos
  • serviços de saúde
  • profissionais que lidem com populações vulneráveis
  • transportes públicose TVDE 
  • locais de grande densidade populacional no exterior

Trabalho: sem restrições

Estabelecimentos comerciais: sem restrições

Bares e discotecas: sem restrições

Fronteiras: isenção de teste para quem tenha certificado válido, restantes PCR ou antigénio 24h

Certificado digital: certificado em contexto de saúde ocupacional

"Estamos no momento ideal para passar a medidas de nível 1, sendo que se deve fazer avaliação quinzenal para avançar para o nível 0", refere Raquel Duarte, sugerindo que se estabeleça uma avaliação à mortalidade, que deve ser inferior aos 20 casos por um milhão de habitantes a 14 dias (um limite definido pelo ECDC) e à hospitalização em Unidades de Cuidados Intensivos, inferior a 170 (limite definido como de risco reduzido pelas linhas vermelhas).

Estando reunidas as condições, os especialistas propõem uma reavaliação posterior para as seguintes medidas:

Nível 0

Testagem: manter o modelo de vigilância, sem limitações no acesso a estabelecimentos comerciais. 

Máscara: sem obrigatoriedade, mas promovendo a utilização perante sintomas ou perceção de risco.

Trabalho: sem restrições

Estabelecimentos comerciais: sem restrições

Bares e discotecas: sem restrições

Fronteiras: mantêm-se as regras internacionais

Certificado digital: sem limitações

Os próximos passos 

Apesar do alívio proposto, Raquel Duarte destaca que é fundamental manter os sinais de alerta em relação a novas variantes que podem surgir e elenca, como próximos passos: monitorização; vacinação; ventilação - que insiste desde o primeiro plano; manutenção da utilização da máscara em ambientes de risco; manutenção da proteção de populações vulneráveis (como idosos em situação de institucionalização) e preparação para a ocorrência de novos surtos.

Sobre a vacinação, a médica afirma que "é preciso jogar com a sazonalidade versus duração de imunidade" para identificar o período de vacinação e definir qual a população elegível. 

Sublinhou também a necessidade de uma boa ventilação dos espaços e de preparar a população para uma mudança de comportamentos, com uso de medidas de proteção sempre que se tem sintomas. "É preciso ritualizar comportamentos, não é aceitável descuidar a higienização das mãos, ou que não se mantenha distância ou não se use máscara se tivermos sintomas”, afirmou.

"Há a possibilidade de não ir ao local de trabalho ou à escola perante a existência de sintomas" 

 

 

 

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