REVISTA DE IMPRENSA || ordens alertam para impacto nos cuidados
Mais de dois mil profissionais reformaram-se do Serviço Nacional de Saúde em 2025, num ano em que, apesar do aumento global de trabalhadores, médicos e enfermeiros alertam para um impacto severo na resposta aos utentes, avança o Diário de Notícias. Ao todo, saíram por reforma 2419 profissionais, sobretudo médicos especialistas e enfermeiros, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde.
No final de 2025, o SNS contabilizava 154.977 profissionais, o valor mais elevado da última década e uma subida de 2,6% face a 2024, sendo que também aumentou o número de médicos especialistas e de enfermeiros em funções. Ainda assim, no mesmo período reformaram-se 570 médicos especialistas e 540 enfermeiros, números considerados preocupantes pelas ordens profissionais.
A Ordem dos Médicos sublinha que a saída de especialistas agrava dificuldades já existentes, num contexto em que cerca de 1,6 milhões de utentes continuam sem médico de família e a população está cada vez mais envelhecida. Apesar de as reformas médicas terem diminuído face ao pico registado em 2023, o impacto mantém-se significativo, sobretudo nos cuidados de saúde primários e nas urgências.
Do lado da enfermagem, as reformas continuam a crescer, incluindo pedidos de reforma antecipada. A Ordem dos Enfermeiros alerta que o défice de profissionais se mantém elevado e que a falta de substituição dos que saem aumenta a sobrecarga e o risco de exaustão das equipas.
As duas ordens criticam a ausência de um plano estruturado de recrutamento e retenção de profissionais, considerando que o aumento global de trabalhadores no SNS não é suficiente para responder às necessidades futuras da população.