REVISTA DE IMPRENSA || Os limites legais são de 150 horas anuais para especialistas em regime de 40 horas semanais e médicos internos, e de 250 horas para clínicos em dedicação plena com urgência
Mais de um terço dos médicos do SNS com registo de trabalho suplementar já tinha atingido ou ultrapassado, em novembro, o limite anual de horas extraordinárias previsto na lei, avança o jornal Público. Dos quase 23 mil médicos, entre especialistas e internos, que realizaram horas extra, 8330 encontravam-se nessa situação, o equivalente a 36,3%, evidenciando a forte dependência do sistema destas horas para assegurar o funcionamento diário.
Os limites legais são de 150 horas anuais para especialistas em regime de 40 horas semanais e médicos internos, e de 250 horas para clínicos em dedicação plena com urgência. Dados da Administração Central do Sistema de Saúde indicam que, até ao final de novembro, 562 médicos em dedicação plena ultrapassaram o teto das 250 horas. Entre os especialistas, 4906 excederam as 150 horas e, entre os internos, 2862 passaram igualmente esse limite.
A maioria destas horas é realizada nos serviços de urgência, onde a escassez de profissionais se faz sentir de forma mais aguda. Sindicatos e administradores hospitalares convergem no diagnóstico: o SNS continua sustentado por trabalho extraordinário em excesso, uma solução considerada negativa e insustentável a médio prazo.
Nos primeiros cinco meses de 2025, os médicos asseguraram 2,4 milhões de horas extra, com uma despesa superior a 114 milhões de euros.