São mais de 1,3 milhões sem médico de família. Só no norte são 1,1 milhões

5 nov, 14:36

Entidade Reguladora da Saúde apresenta dados entre 2017 e 2021, mas 2022 mantém o mesmo cenário: ainda há um milhão e 300 mil utentes sem médicos de família atribuído.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revela que, desde 2017 até ao ano passado, há mais 3,9% de utentes sem médico de família. Mas, dez meses depois, o cenário mantém-se: há mais de um milhão e 300 mil que estão inscritos no centro de saúde sem terem um clínico de Medicina Geral e Familiar atribuído, apesar de um reforço feito em agosto. E é no norte onde o cenário é mais crítico, com mais  de 1,1 milhões de utente sem médico de família.

Mas “quanto à distribuição de médicos de família a nível regional”, diz o regulador, “realça-se a existência de assimetrias importantes”. E, aqui, Lisboa e Vale do Tejo apresenta o cenário mais dramático, com 20% dos inscritos nos cuidados de saúde primários sem médico de família. Segue-se o Algarve, com 16%. Em sentido inverso, revelam os dados de 2021, na região norte a maioria da população tem um médico de família atribuído, à exceção de apenas 2,8%.

Apesar dos sinais de alerta, o regulador da saúde diz que a atividade assistencial tem sido dada na maior parte dos centros de saúde. No entanto, e já com o país a caminhar para um pós-pandemia, o cenário mantém-se idêntico - e não é de agora.

Se olharmos para os dados mais recentes, referentes a outubro de 2022, e publicados no Portal da Transparência, há 10.564.995 pessoas inscritas nos cuidados de saúde primários, mas apenas 9.188.927 com médico de família atribuído. Na prática, 1.376.068 não têm médico de família.

Olhando para as associações regionais de saúde, a ARS Alentejo conta com 700.505 inscritos, dos quais 685.643 com médico de família. Ou seja, 14.862 pessoas não têm médico atribuído. Na ARS Algarve o cenário é idêntico: há 475.887 utentes inscritos e somente 464.265 com médico de família, o que quer dizer que 11.622 utentes continuam sem um clínico de Medicina Geral e Familiar atribuído.

No Centro, os dados apresentados no Portal da Transparência dão conta de que há 1.359.775 utentes inscritos e 1.329.341 com médico. São 30.434 os que ficam de ‘fora’. Já em Lisboa e Vale do Tejo, que tem sido, consecutivamente, a região mais crítica nesta matéria, o número de utentes inscritos é de 2.646.754. Com médico de família atribuído há 2.508.172, o que quer dizer que 138.582 não têm.

Na ARS Norte é onde se encontra o maior número de utentes inscritos nos cuidados de saúde primários a nível nacional, 5.382.074 no total. Destes, 4.201.506 têm médico, o que significa que 1.180.568 não têm, sendo, por isso, a região com mais utentes sem médico atribuído, mas também a que tem mais Agrupamento de Centros de Saúde (ACES).

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