REVISTA DE IMPRENSA || Probabilidade de sobrevivência varia significativamente de semana para semana
Os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas vieram alterar o horizonte para os bebés prematuros e respetivas famílias. Há 30 anos, sobreviviam apenas 40% dos bebés prematuros extremos, com menos de 28 semanas de gestação. Hoje, são cerca de 70%.
“A diferença é muito significativa. A realidade mudou profundamente. Estes bebés têm, na sua maioria, maior probabilidade de sobrevivência e muitos conseguem desenvolver-se com qualidade de vida”, afirma Henrique Soares, diretor do serviço de Neonatologia do Hospital de São João.
Uma reportagem do semanário Expresso conta as histórias de Olívia, Beatriz e Eduardo.
Olívia nasceu com 24 semanas de gestação, 600 gramas de peso, olhos fechados e “pele ainda sem cor da pele”. Cabia na palma de uma mão. Teve uma hemorragia cerebral de grau 2/3, que o organismo conseguiu absorver. Foi operada aos intestinos com uma semana de vida e, com um mês de vida, foi operada ao coração. Antes de ter alta da neonatologia do Hospital de São João do Porto, ainda foi vítima de uma meningite. Foram 126 dias de internamento no total.
“As pessoas não têm noção do que é um bebé prematuro. Acham que é só um bebé pequenino. Não é. É um bebé completamente por desenvolver”, sublinha Sara, a mãe de Olívia, que agora já tem sete meses.
De acordo com os médicos, a probabilidade de sobrevivência varia significativamente de semana para semana — e grama a grama. Segundo os dados mais recentes do Registo Nacional de Muito Baixo Peso, mesmo atualmente só sobrevivem 43% dos bebés com o mesmo tempo de gestação e peso que Olívia. Com apenas mais uma semana no útero, a taxa sobe para 54%. E assim sucessivamente.
Beatriz nasceu, com 26 semanas e 615 gramas. Paula, a mãe, mergulhou sem querer no “novo mundo” dos prematuros e acabou a fundar a associação XXS, que é hoje membro da Fundação Global para o Cuidado de Recém-Nascidos (GFCNI).
Eduardo tem agora 29 anos. Nasceu com 720 gramas e 27 semanas de gestação. Bebia meio mililitro de leite de cada vez: “três gotas”, contabiliza a mãe, Crisanta, enfermeira.
Eduardo hoje é cantor, barítono. Os médicos acreditam que as características da sua voz se prendem com o facto de ter estado entubado durante tanto tempo, numa fase tão prematura da sua vida.
