O cancro foi um dos temas mais discutidos no ICIM 2025. Vários palestrantes defenderam que abordagens complementares podem ajudar a mitigar efeitos secundários dos tratamentos convencionais, diminuindo o sofrimento e promovendo a qualidade de vida dos doentes, mas sem promessas de cura milagrosa
E se o futuro da Medicina passar por um retorno à sabedoria das civilizações antigas? “A Medicina Integrativa e Funcional representa, para mim, um regresso à essência da arte médica, onde olhamos para a pessoa como um todo e não apenas para a doença”, declara Ana Moreira, médica e organizadora do 7.º Congresso Internacional de Medicina Integrativa (ICIM).
Significativamente, coube a Dada Shivananda, monge sénior da organização Ananda Marga, movimento espiritual fundado na Índia, em 1955, abrir o congresso com uma meditação transmitida em direto para os quatro cantos do mundo a partir do auditório principal da Exponor. Depois dele, os 1.500 médicos e terapeutas reunidos no Porto tiveram de escolher entre mais de 150 conferências, distribuídas por sete salas em funcionamento permanente.
A medicina integrativa distingue-se, desde logo, por devolver a condição espiritual ao ser humano. “Quando consideramos o equilíbrio entre corpo, mente e espírito, estamos verdadeiramente a praticar uma Medicina Avançada: mais humana, mais consciente e mais alinhada com a ciência mais recente”, expõe Ana Moreira.
A relação entre saúde oral e doenças cardiovasculares, como o enfarte, novas abordagens de prevenção e tratamento do cancro, o envelhecimento saudável, a estética e até a veterinária foram alguns dos temas debatidos por médicos e investigadores com doutoramentos em Oncologia, Neurociência e outras áreas de especialidade da Medicina Alopática dominante no mundo ocidental. A diferença é que, neste congresso, a troca de informação e de experiências é alargada a especialistas de Medicina Chinesa, nutricionistas funcionais e toda a sorte de terapeutas com técnicas complementares de promoção da saúde e bem-estar.
Cancro no centro do debate
O cancro foi um dos temas mais discutidos no ICIM 2025. Vários palestrantes defenderam que abordagens complementares podem ajudar a mitigar efeitos secundários dos tratamentos convencionais, diminuindo o sofrimento e promovendo a qualidade de vida dos doentes. Sem promessas de cura milagrosa, vários oradores defenderam estratégias personalizadas, adaptadas à biologia e ao contexto de cada paciente.
A nutrição, a gestão da inflamação, o metabolismo celular e o impacto do stress crónico surgiram como fatores comuns nas várias abordagens discutidas, sobretudo na oncologia integrativa. O objetivo é complementar os tratamentos tradicionais. “A melhor abordagem é coordenar e combinar as duas vias, para ajudar os pacientes e obter melhores resultados, com o mínimo de efeitos adversos”, resumiu o médico oncologista Abdulla El Hossami.
Nem todas as intervenções evitaram o confronto com o modelo médico dominante, em particular nos Estados Unidos. “Os americanos estão a acordar para o facto de que o sistema médico é baseado no lucro e não no bem-estar das pessoas, e estão a retomar a sua saúde nas próprias mãos — afastando-se da comida processada e de medicamentos tomados para toda a vida”, declarou Charlie Ferrell, fundador da Health by Medworks, centro de bem-estar e longevidade de referência em Los Angeles.