Cuidados a ter com medicamentos e a exposição solar (e sim, alguns podem aumentar o risco de queimaduras)

21 ago 2025, 12:00
Medicamento

GUIA DE VERÃO || A toma e o armazenamento de medicamentos durante o verão - e sobretudo perante a exposição solar - requer vários cuidados

A toma de medicamentos no verão requer cuidados redobrados, sobretudo durante as férias e idas à praia ou piscina. Se, por um lado, é preciso saber como transportá-los e armazená-los, por outro, é preciso saber que efeito podem ter na pele. E sim, há medicamentos que aumentam mesmo a sensibilidade ao sol.

Mas vamos por partes. Para levar medicamentos para a praia é importante fazê-lo “dentro de uma arca”, de modo a que a temperatura seja sempre baixa e o fármaco fique protegido do calor e do sol, pois “os medicamentos podem alterar-se, perder eficácia”, começa por alertar Adriana Relvas, especialista em Medicina Geral e Familiar e em Medicina Estética. 

Ler a bula do fármaco e conhecer os efeitos adversos associados ao sol e ao calor é um fator importante, mas nada invalida que leve o papel consigo para a praia, caso seja necessário outras pessoas consultarem a informação caso comece a apresentar alguns sintomas.

Mas há outros cuidados a ter em conta, uma vez que fatores como a desidratação podem aumentar o risco de efeitos adversos à toma de medicamentos na praia. Alguns medicamentos aumentam a perda de água ou sais minerais, como é o caso dos diuréticos, e,. por isso, importa reforçar o consumo de água, mesmo quando não há sede. Durante o período de calor, é ainda recomendado evitar o consumo de álcool.

Há ainda os chamados medicamentos fotossensibilizantes, que “aumentam risco de queimadura solar”. Segundo Adriana Relvas, especialista em Medicina Geral e Familiar e em Medicina Estética, estes medicamentos “causam vermelhidão” na pele quando a pessoa se expõe ao sol, mas as consequências podem ir além do eritema: há casos em que se desenvolvem bolhas, “manchas escuras” ou até “queimaduras severas” mesmo com pouca exposição solar. 

A fotossensibilidade associada a medicamentos pode ser do tipo fototóxica (que ocorre corre na primeira exposição ao fármaco e à luz) ou fotoalérgica (que ocorre após exposição prévia, geralmente 24 a 72 horas após a exposição ao sol).

E ao contrário do que muitas pessoas pensam, são vários os medicamentos fotossensibilizantes. “Os mais comuns”, diz a médica, são os antibióticos, “não todos”, mas os do tipo fluoroquinolonas e tetraciclina, os anti‑inflamatórios não esteroides, os diuréticos (como hidroclorotiazida e clorotiazida) e os antidepressivos e ansiolíticos (como tricíclicos, fenotiazinas e benzodiazepínicos). “Ler a bula é importante”, recomenda a médica. Ainda assim, diz, os clínicos podem adaptar a toma ou até recomendar alternativas, de modo a evitar uma maior fotossensibilidade. 

Ainda assim, as pessoas que tomam este tipo de medicamentos “devem evitar a exposição solar direta” e optar por formas mais eficazes de proteção, como um FPS alto, “sobretudo contra UVA”, apostando na reaplicação a cada duas horas e/ou após cada mergulho. “E mesmo em dias nublados, os raios UV podem penetrar as nuvens”, alerta Adriana Relvas, defendendo a importância da aplicação de protetor solar mesmo quando o sol não dá ares da sua graça.

A médica sugere ainda “usar óculos escuros, preferencialmente largos, e usar roupa protetora”, existindo já no mercado opções de roupa com proteção UV.

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