Mcdonald's e Coca-Cola saem do mercado russo, mas não são as únicas. Quem ainda fica?

9 mar, 12:05

Depois dos apelos ao boicote, empresas anunciaram que vão encerrar todas as operações na Rússia. Mas há quem permaneça

Depois dos muitos apelos ao boicote às marcas que permanecem na Rússia após a invasão da Ucrânia, foram várias as empresas que anunciaram, nas últimas horas, que vão encerrar todas as operações na Rússia.

A primeira a ceder aos apelos foi a companhia Yum!, responsável pelas marcas KFC, Pizza Hut, Taco Bell e The Habit, as duas primeiras com restaurantes abertos em território russo. Num comunicado publicado online, a companhia avança que já suspendeu as operações nos restaurantes KFC e está a finalizar o acordo com o parceiro de negócios responsável pelos restaurantes Pizza Hut para fechar os estabelecimentos.

"Esta medida baseia-se na nossa decisão de suspender todos os investimentos e desenvolvimento de restaurantes na Rússia e redirecionar todos os lucros das operações para esforços humanitários. Esses esforços humanitários incluem uma doação de um milhão de dólares do Yum! Brands Foundation à Cruz Vermelha para apoiar os afetados pela crise, ativando o Yum! Fundo de Auxílio a Desastres para apoiar funcionários das franquias ucranianas e fazer doações correspondentes às dos funcionários para as seguintes instituições de caridade que prestam ajuda na Ucrânia: UNICEF, Cruz Vermelha, Programa Mundial de Alimentos e Comité Internacional de Resgate. Além disso, os nossos restaurantes das regiões vizinhas estão a fornecer alimentos para os refugiados", pode ler-se no comunicado.

Mas os encerramentos não se ficaram por aqui. Pouco depois, a empresa de restaurantes fast-food Mcdonald's anunciou que vai encerrar temporariamente todas as operações na Rússia, avança a Reuters. A medida vai afetar cerca de 62 mil empregados que trabalhavam nas mais de 800 lojas que a marca tem no país.

Num comunicado, a empresa afirma que "os nossos valores significam que não podemos ignorar o sofrimento desnecessário que se está a desenrolar na Ucrânia". 

A decisão tem um peso simbólico grande neste país, uma vez que foi uma das primeiras marcas ocidentais e conotadas com o capitalismo norte-americano a entrar no marcado russo pouco antes da queda da União Soviética, ainda em janeiro de 1990.

Perante o anúncio do encerramento dos restaurantes, os cidadãos russos fizeram longas filas à porta dos vários McDonald's espalhados pelo país. Nas redes sociais, foram publicadas várias fotografias e vídeos onde, a pé ou de carro, os clientes da cadeia de fast-food tentavam comprar uma última refeição.

Também a gigante Starbucks anunciou que ia suspender todas as atividades económicas na Rússia. O anúncio surgiu já depois do presidente da companhia, Kevin Johnson, ter emitido um comunicado onde condenava "os ataques não provocados, injustos e horríveis à Ucrânia".

Outra das marcas que anunciou que ia suspender temporariamente todos os negócios na Rússia, após crescente pressão por parte dos consumidores devido à invasão russa da Ucrânia, foi a Coca-Cola.

"Os nossos corações estão com as pessoas que estão a sofrer os efeitos inconcebíveis destes trágicos eventos na Ucrânia. Vamos continuar a monitorizar a situação e avaliar o desenvolvimento das circunstâncias", afirmou a empresa através de um comunicado.

A esta marca ocidental de bebidas juntou-se outra: a PepsiCo, Inc. A empresa multinacional que detém alguns dos produtos alimentares mais conhecidos do mundo anunciou que vai suspender todas as vendas na Rússia e garantiu ainda que a suspensão abrange todos os investimentos, incluindo patrocínios e atividades promocionais na Rússia. 

Esta manhã, foi a vez da Mothercare suspender todas as operações. A multinacional de lojas de produtos de crianças anunciou que o seu parceiro local vai encerrar todos os seus 120 espaços comerciais e loja online na Rússia, noticia a Sky News.

A empresa afirmou que as vendas na Rússia correspondem a um quarto dos lucros do grupo a nível global.

Quem fica?

De acordo com uma lista publicada pela Universidade de Yale, cerca de 300 companhias já suspenderam operações na Rússia, mas há quem permaneça. Quem são essas empresas?

  • Abbott Labs: a Rússia é responsável por menos de 2% das vendas da Abbott. A empresa já condenou os ataques, mas não se manifestou sobre o escritório em Moscovo.
  • AbbVie: farmacêutica com escritório em Moscovo. Ainda não se pronunciou.
  • Accor: 55 hóteis na Rússia. Emitiu comunicado de solidariedade com a Ucrânia, mas não fala sobre as operações em território russo.
  • AmerisourceBergen: a distribuidora farmacêutica emitiu comunicado onde afirma que continua a operar na Rússia.
  • Arconic: segundo a Universidade de Yale, 9,4% da receita da empresa de alumínio vem da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Bridgestone Tire: mantém as fábricas na Rússia a funcionar e emitiu comunicado sobre os edifícios e empregados na Ucrânia.
  • Bunge: último comunicado é anterior à invasão russa. 2.6% da receita vem da Rússia.
  • Cargill: Empresa tem 1.500 funcionários na Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Caterpillar: 8% das receitas vêm da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Citi: Banco continua a operar na Rússia e tem emitido vários alertas aos clientes.
  • Citrix: Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Coty: marca de cosméticos com 3% da receita vinda da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Cummins: tem cerca de 700 empregados
  • Deere: empresa de tratores e máquinas agrícolas ainda não emitiu nenhum comunicado.
  • Dow: Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Fast Retailing/Uniqlo: Uniqlo vai manter abertas as 50 lojas que tem na Rússia, anunciou Tadashi Yanai, CEO da Fast Retailing Co., a companhia mãe da Uniqlo.
  • Ferragamo: 1% da receita vem Rússia.
  • Greif: Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Grupo Bimbo: Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Herbalife: 3% da receita vem Rússia. Empresa não se pronuncia online desde 23 de fevereiro.
  • Hilton: 29 hotéis na Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Hyatt: tem seis hotéis na Rússia e emitiu comunicado sobre a situação na Ucrânia, mas não fala sobre as operações em território russo.
  • Intercontinental Hotels: O hotel Intercontinental Moscow Tverskaya continua a receber hóspedes e oferece serviços 24 horas por dia, segundo o aviso publicado no site do hotel.
  • Kimberly-Clark: Opera em 8 cidades e 3% das receitas vêm da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Logitech. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Marriott: dez hotéis na Rússia. Numa curta nota nas redes sociais, a cadeia de hotéis informa: "Temos o prazer de informar que estamos a trabalhar normalmente".
  • Mars: investiu mais de 2 mil milhões de dólares na Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Mohawk Industries: 4,3% das receitas vem da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Mondelez: 3,5% das receitas vem da Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Nestle: 2,3% das receitas são da Rússia. Emitiram um comunicado a expressar a sua solidariedade com a Ucrânia, mas as atividades na Rússia mantêm-se. 
  • Otis Worldwide: empresa com parcerias na Rússia. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Papa John’s: 185 restaurantes na Rússia. Questionados pela Forbes sobre a permanência em território russo, não responderam.
  • Pirelli: 10% dos pneus são fabricados na Rússia. A empresa doou 500 mil euros para os refugiados ucranianos. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Timken: empreendimento em conjunto com a United Wagon, uma das maiores fabricantes mundiais de vagões de carga. Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
  • Whirlpool: Ainda não foi emitido nenhum comunicado.
Lista divulgada pela Faculdade de Administração da Universidade de Yale

 

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