A denúncia é do IRA, que participou na ação de encerramento imediato do canil municipal, na sexta-feira, depois de uma queixa de maus-tratos. Dos 73 cães retirados, pelo menos um terço continua internado
A Câmara de Vila Nova de Foz Côa recebeu 220 mil euros do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em 2022, para a construção de um centro de recolha oficial de animais, mas nunca o fez, nem sequer remodelou o espaço. A denúncia é do IRA - Intervenção e Resgate Animal, que participou na ação de encerramento imediato do canil municipal, na sexta-feira, depois de uma queixa de maus-tratos e que obrigou à retirada de 73 cães.
A autarquia é a responsável pelo espaço não licenciado, mas fez um protocolo com a junta de freguesia. Em comunicado, argumenta que a ordem judicial de encerramento foi motivada pela sobrelotação e falta de condições, mas as imagens divulgadas pelo IRA denunciam maus-tratos.
Dos 73 cães retirados, pelo menos um terço continua internado devido a maus-tratos prolongados. Um dos animais foi, inclusive, encontrado morto dentro de uma arca congeladora.
A denúncia de maus-tratos foi feita em março e dava conta de que os cães não tinham acesso a ração e que a água também era escassa. Além disso, estavam amontoados em pequenas jaulas, sem mantas ou camas.
Os animais sobreviventes estão agora ao cuidado das três associações que auxiliaram a GNR e o ICNF na operação - IRA, Associação Midas e Santuário Animal Vida Boa -, mas o objetivo é que sigam, assim que possível, para famílias de acolhimento.
A investigação prossegue a cargo da GNR, ainda sem arguidos constituídos.