Depressão prevista para dia 8 muda de trajetória, mas continua a trazer muita chuva a Portugal

CNN Portugal , MCC
3 fev, 17:38
Mau tempo (EPA)

 

 

Os próximos dias já não deverão ser marcados por um cenário extremo, mas a depressão prevista para domingo continua a merecer atenção: apesar de já não apontar para uma trajetória direta sobre Portugal continental, deverá passar a norte da Península Ibérica, afetando o estado do tempo

As previsões do estado do tempo apontavam, na semana passada, para a possibilidade de uma depressão "muito cavada" entrar no território continental. Esse cenário colocava em cima da mesa a hipótese de um episódio meteorológico severo, numa altura em que o país ainda avaliava os danos provocados pela depressão Kristin. No entanto, pequenas alterações na trajetória acabaram por deslocar o núcleo do sistema para latitudes mais elevadas.

Segundo Margarida Belo-Pereira, especialista em fenómenos extremos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o centro da depressão deverá agora passar "imediatamente a norte da Península Ibérica", o que não elimina o impacto em Portugal continental. "No dia 8 vai haver precipitação em Portugal continental, com maior intensidade a norte do Cabo Carvoeiro", explica.

A especialista sublinha que, mesmo quando os núcleos das depressões passam a norte das latitudes portuguesas, continuam a arrastar frentes e linhas de instabilidade suficientemente extensas para provocar episódios de chuva persistente no território. Pequenas variações na trajetória podem, ainda assim, fazer a diferença entre um episódio mais localizado e um evento com impacto mais alargado.

Também Miguel Miranda, geofísico e ex-presidente do IPMA, confirma que o núcleo depressionário já não se posiciona sobre Portugal, mas continuará a condicionar o estado do tempo nos próximos dias. "Está situado a sudoeste das Ilhas Britânicas, portanto a noroeste da Península Ibérica", refere.

De acordo com o geofísico, a interação com Portugal poderá ser mais significativa no domingo, dia 8, embora admita que ainda existe incerteza. "Eu diria que ele tem uma interação mais forte no domingo, mas ainda estamos um bocadinho longe para ter a certeza absoluta disso", acrescenta.

A comparação com a depressão Kristin é agora afastada pelos especialistas. "A depressão já não está assim tão cavada", esclarece Miguel Miranda. No entanto, isso não significa ausência de impacto. "O problema é que ele condiciona o tempo e transporta uma massa de ar muito húmida", o que favorece a ocorrência de precipitação significativa.

As regiões mais expostas deverão situar-se no noroeste do país. O Minho e o Douro Litoral surgem como as áreas com maior probabilidade de precipitação, numa altura em que já registam quantidades muito expressivas de chuva, com a passagem da depressão Leonardo. "São zonas que, nos últimos dias, têm acumulado centenas de milímetros", refere Miguel Miranda.

Este fator torna particularmente relevante o chamado efeito cumulativo da precipitação. Mesmo sem um episódio extremo associado a uma única depressão, a sucessão de dias com chuva pode levar à saturação dos solos, à subida dos caudais dos rios e ao aumento dos volumes armazenados nas barragens.

Apesar de o centro da depressão já não estar apontado diretamente a Portugal, os especialistas alertam que o risco de cheias e de outros problemas associados ao excesso de água se mantém elevado, sobretudo no Norte. A evolução da situação continuará a ser acompanhada "dia a dia", à medida que a data se aproxima e que os modelos meteorológicos afinam a localização e a intensidade finais do sistema.

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