Conheça todos os efeitos esperados para as várias bacias hidrográficas, com o Tejo a ter particular preocupação das autoridades
A junção da chuva que cai de forma incessante com as descargas efetuadas nas várias barragens espanholas está a aumentar significativamente os caudais da maioria das bacias hidrográficas.
De acordo com o mais recente comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção CIVIL (ANEPC), a bacia do Tejo enfrenta uma situação particularmente preocupante nas próximas 48 horas.
“Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida significativa”, indica aquela autoridade.
São valores que se aproximam a um período de retorno de 20 anos, conforme indica a ANEPC, dando uma clara imagem da dimensão da subida das águas.
Assim, a Proteção Civil chama a atenção para as seguintes situações:
- Tejo (Zêzere): Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Tejo (Nabão): Os caudais vão manter-se elevados;
- Sorraia: Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida significativa.
Para as restantes bacias hidrográficas saliente-se:
- Minho: Os caudais vão manter-se elevados;
- Lima: Os caudais vão manter-se elevados com tendência de subida;
- Cávado: Os caudais vão manter-se elevados;
- Douro: Os caudais no rio Douro vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Vouga: Poderá ocorrer uma subida de caudais, com tendência de subida;
- Vouga (Águeda): Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Mondego: Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Lis: Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Sado: Os caudais vão manter-se elevados, com tendência de subida;
- Guadiana: Os caudais elevados, com efeitos em Mértola e outras localidades a jusante;
- Ribeiras do Arade: Caudais elevados;
- Ribeiras do Algarve: Poderá ocorrer uma subida significativa de caudais.
A Proteção Civil alertou também para o risco de inundações em áreas urbanas e para a formação de lençóis de água.
O corte do trânsito em algumas vias rodoviárias, por estarem submersas e derrocadas são outros efeitos da depressão Leonardo que poderão ocorrer, segundo a nota.
A Proteção Civil alertou ainda para a presença de objetos soltos arrastados para as vias rodoviárias e para possibilidade estruturas móveis ou mal fixadas se soltarem devido às cheias e inundações, sendo que estes objetos e estruturas podem causar acidentes rodoviários.
Em relação às medidas preventivas, a ANEPC apelou às pessoas que desbloqueiem os sistemas de escoamento, ou seja, que retirem os objetos que possam ser arrastados pela água para as estradas e que prejudiquem o funcionamento dos sistemas.
A Proteção Civil pediu também que a população evite qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações.
A ANEPC apelou ainda para que as pessoas não estacionem veículos em zonas historicamente inundáveis e não atravessem locais inundados, evitando que cidadãos ou carros sejam arrastados para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas.
Na nota, a Proteção Civil pediu a retirada de animais de zonas inundáveis e “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas próximas de linhas de água, devido ao risco de queda de ramos e/ou árvores arrastados pelas águas”.
O comandante nacional da Proteção Civil pediu às populações das zonas ribeirinhas que abandonem as habitações e vão para locais seguros, alertando para as previsões de aumento intenso e rápido de caudal no rio Tejo.
De acordo com Mário Silvestre, que falava aos jornalistas numa conferencia de imprensa na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras, a velocidade e a intensidade de aumento de caudal do rio Tejo não acontecia desta forma desde 1997.
“Desde 1997, aproximadamente, que não tínhamos um episódio destes na Bacia do Tejo e no Rio Tejo. E, portanto, isto implica cuidados por parte da população ribeirinha que estão habituados a este fenómeno, mas desde 1997 que não temos um fenómeno potencialmente com esta dimensão”, alertou.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.