Ministra do Ambiente e da Energia anunciou que cerca de 85 mil pessoas ainda estão sem casas, mas que há geradores a caminho das 20 freguesias que ainda não os têm
Uma semana depois da depressão que deixou grande parte de Leiria, Coimbra ou Santarém às escuras, milhares de pessoas ainda estão sem energia em casa. Em concreto, são cerca de 85 mil as casas que ainda não continuam sem acesso a eletricidade.
A ministra do Ambiente e Energia garantiu esta segunda-feira que o Governo está a trabalhar para dar uma resposta rápida a todas estas situações. Em entrevista exclusiva à CNN Portugal, Maria da Graça Carvalho recusou-se, contudo, a avançar com uma janela temporal para a chegada de todos os apoios a quem precisa.
E muitas das pessoas que precisam estão em 20 freguesias que continuam sem geradores e, como tal, sem qualquer acesso a eletricidade ou água. Esse equipamento deve chegar já esta quarta-feira, de acordo com a ministra, o que não quer dizer que aquelas zonas fiquem automaticamente com acesso a energia.
Quanto às milhares de pessoas que estão ainda sem acesso a energia, Maria da Graça Carvalho preferiu destacar o trabalho feito no terreno para garantir a rápida reposição dos serviços.
“Às 20:00 temos 85 mil clientes da E-REDES sem eletricidade. Começámos com um milhão e 10 mil, a E-REDES prometeu-nos que ao fim de cinco dias tinha entre 80% a 85% e cumpriu essa parte”, referiu Maria da Graça Carvalho, que falou numa tempestade de uma “gravidade extrema”.
“Não há registos em Portugal de uma intempérie como a que tivemos agora”, vincou, lembrando que foram registadas rajadas com 210 quilómetros por hora durante a passagem da depressão Kristin.
A ministra do Ambiente e da Energia admitiu mesmo que grande parte da rede portuguesa não estava preparada para uma tempestade deste género. “As redes elétricas não estavam preparadas para estas intempéries”, disse, justificando que o sul da Europa não costuma passar por situações semelhantes à que aconteceu na madrugada de quarta-feira.
E é nesse sentido que Maria da Graça Carvalho defende que se modifique grande parte do abastecimento de energia, que poderá passar a ser feito de forma subterrânea em algumas das zonas atingidas.
Sobre os apoios, a ministra explicou que se trata de meios semelhantes aos aplicados noutras catástrofes, ainda que “mais vasto”.
“Tudo estamos a fazer para que os apoios cheguem o mais rapidamente possível”, reiterou, referindo que foram essas as ordens dadas pelo primeiro-ministro aos restantes membros do Governo.
Apoios que servem para a reconstrução do “muito que foi destruído na zona mais afetada”. “A indicação que temos é tudo fazer para que os apoios cheguem o mais rapidamente possível”, reforçou a ministra do Ambiente e Energia, que se escudou no tempo que demora o levantamento e a avaliação do que é necessário para explicar a demora na chegada dos apoios.
“Tudo isso está estabelecido e a partir de agora pode começar”, sublinhou, recusando sempre dar uma janela temporal, mesmo que não sejam necessárias as autorizações normais, já que os concelhos afetados estão sob situação de calamidade.
Quanto aos 10 mil euros que o Governo vai alocar para a reconstrução de casas, Maria da Graça Carvalho explicou que a destruição se verifica sobretudo nos tetos, pelo que o valor máximo definido “é razoável para esta primeira reconstrução”.
“Os 10 mil euros serão uma boa ajuda para repor o telhado”, frisou, lembrando que em muitos dos casos não será necessário repor todo o telhado, mas apenas algumas partes.