Depois da depressão Kristin, autoridades deixam o alerta: "Temos dois dias para nos prepararmos" para uma "semana muito difícil"

30 jan, 17:03
Reportagem: Tempestade Kristin em Pedrógão Grande

Proteção Civil, Agência Portuguesa do Ambiente e IPMA avisam para "inundações rápidas em zonas urbanas" nos próximos dias

A depressão Kristin foi a tempestade mais forte alguma vez registada em Portugal Continental. A confirmação foi dada por um dirigente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera no briefing diário das autoridades.

"A tempestade Kristin que nos atingiu, tendo em conta o enquadramento que fizemos, poderá ter sido provavelmente a tempestade mais forte desde que temos registo que atingiu Portugal continental", referiu Nuno Lopes a partir da sede da Proteção Civil.

De acordo com Nuno Lopes, os registos não tinham medições desta dimensão no seu histórico, sendo que é preciso começar já a olhar para a frente.

“Temos previsões que indicam que vamos ter mais de 160 milímetros distribuídos ao longo da semana na parte norte do território, mas também a parte sul será afetada”, adiantou Nuno Lopes, referindo que as previsões apontam ainda para agitação marítima forte a partir do início da próxima semana, com queda de neve e alguns episódios de vento.

“O que se espera é uma semana que prevalentemente iremos classificar como muito chuvosa”, disse Nuno Lopes.

“Amanhã, sábado, teremos uma pequena folga ou pouca precipitação na zona norte, mas a partir de domingo esperamos precipitação todos os dias, praticamente em todo o território, sobretudo norte e centro”, referiu Nuno Lopes.

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente confirmou que os próximos dias serão mesmo difíceis, até porque os “solos estão completamente saturados”, o que tem estado a agravar a situação no terreno, não se prevendo grandes melhorias nos próximos dias.

"Vamos ter uma semana muito complicada. Temos dois dias, que é a nossa janela de tempo, para nos prepararmos para essa semana muito difícil", reiterou José Pimenta Machado.

O comandante da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou mesmo para a possibilidade de “inundações rápidas em zonas urbanas”.

“Retirem todos os bens e animais de zonas de risco”, pediu, num claro sinal de que as autoridades esperam grandes consequências para os próximos dias, em grande parte por causa dos estragos provocados pela depressão Kristin.

Por isso mesmo, frisou o presidente da Proteção Civil, a população “deve manter um comportamento exemplar”. E José Manuel Moura vincou que isso é particularmente importante para as zonas Norte e Centro, que “poderão enfrentar situações preocupantes”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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