PROGRAMA "PRINCÍPIO DA INCERTEZA" || José Pacheco Pereira acusa Luís Montenegro de "envenenar a situação" a propósito da operação policial no Martim Moniz - e questiona onde estão as operações contra "organizações criminosas que toda a gente conhece, como as claques de futebol". Alexandra Leitão não viu "nenhum branco encostado à parede" no Martim Moniz - e "isso não é por acaso". Miguel Macedo também considera que Luís Montenegro esteve mal, mas defende que a atuação da polícia no Martim Moniz foi "ajustada"
José Pacheco Pereira está inquieto. Por exemplo: quer saber se ele próprio teria sido revistado caso estivesse a passar na Rua do Benformoso, no Martim Moniz, no dia da polémica e aparatosa operação policial. "Se calhar teria sido", respondeu Miguel Macedo no programa "Princípio da Incerteza", na CNN, acrescentando que já foi "parado muitas vezes em grandes operações de segurança rodoviária".
O restante painel sublinhou que as duas situações - uma operação na estrada e a operação no Martim Moniz - não são comparáveis, mas Miguel Macedo argumentou que o que se passou no Benformoso "tem cobertura legal". "Os procedimentos de revista que são feitos pelas costas do sujeito que está a ser revistado não são específicos da polícia portuguesa. É um procedimento de segurança que é seguido por muitas e muitas polícias", afirmou.
"Não alinho em nenhuma das demagogias que têm sido feitas a propósito desta situação. Isto não tem nada que ver com visibilidade, isto tem que ver com uma prevenção especial de criminalidade porque a lei determina que pode ocorrer em espaços relativamente confinados, públicos, e estão previstas as medidas especiais de polícia que podem ocorrer nessa situação - e foram aquelas que foram seguidas", disse Miguel Macedo.
Alexandra Leitão não concorda, assinalando que estão em causa princípios de direitos humanos como "a dignidade da pessoa humana e não discriminação". "Não há um branco encostado à parede. E isto não pode ser por acaso. Isto cria uma ideia de ligação entre a imigração e a insegurança que o Governo devia combater em vez de promover. Todas as estatísticas demonstram que não há uma ligação entre imigração e insegurança", argumentou a socialista, assinalando que houve também "uma desproporção entre meios e resultados", uma vez que os resultados obtidos "são para lá de pífios".
Para José Pacheco Pereira, "quem realmente criou e envenenou esta situação" foi o primeiro-ministro com "a história da visibilidade", algo que "aponta para uma operação de propaganda e não para uma operação que tenha alguma coisa que ver com a criminalidade que eventualmente possa existir na zona".
"Eu nunca vi uma operação deste género em relação a organizações criminosas que toda a gente conhece, como são as claques de futebol. Nunca vi uma operação deste género contra os No Name Boys, que pelos vistos deram cabo de um restaurante no sábado. Ou então contra os Super Dragões", observou José Pacheco Pereira, concluindo que "há claramente aqui uma duplicidade de critérios".