Fomos conhecer o Martim. Com duas medalhas de ouro no bolso, há tempo para dançar e tempo para ser criança

9 jul, 21:28

Por estes dias já deve ter ouvido falar de Martim Amorim. Tem nove anos, um bocadinho menos de metro e meio e, acima de tudo, muito talento

Nasceu na Póvoa de Varzim, passa os dias entre canções e coreografias e acaba de conquistar duas medalhas de ouro na final da ‘Dance World Cup’ (Taça do Mundo de Dança) em San Sebastián, Espanha.

Uma conquista além-fronteiras, fruto de um talento que é alimentado desde muito cedo. “Eu comecei a dançar com dois anos… não sei bem porquê… na barriga da minha mãe já dançava e acho que fiquei com essa paixão”, conta o campeão, entre sorrisos tímidos, à CNN Portugal. 

A mãe, Ana Marques, é bailarina e professora de dança e uma das grandes responsáveis, a par da tia Francisca, pelo amor que Martim tem à dança.

“Quando estava grávida de cinco meses do Martim ainda fiz um espetáculo. Fui para o palco e depois achei que tinha de abrandar o ritmo. Dois anos depois, o Martim subia pela primeira vez ao palco”, diz a mãe do menino.

Martim treina quase todos os dias com a mãe e com a tia, também bailarina, Francisca Marques, e confessa que a sensação de treinar com a família “é muito boa” porque sabe que estão os três a trabalhar para a excelência.

A tia, por sua vez, garante que, apesar de ser impossível separar o lado de tia do lado de treinadora, é o próprio Martim que traça os limites entre os momentos de lazer e os de treino. 

“Costumo treinar às segundas, terças, quartas e sábados. Aos sábados treino especificamente para as competições”, explica Martim.

Apesar das conquistas e exigência na dança, Martim não deixa de ser uma criança que brinca com os amigos e vai à escola.

“O Martim, às vezes, tem de faltar à escola e tem de haver em casa um equilíbrio. Ele é um excelente aluno. Mas às vezes não é fácil para ele perceber que há coisas que ficam para trás. Por exemplo, chega o fim de semana e um amiguinho faz anos e o Martim não pode ir à festa porque tem treinos. Existe esta exigência de perceber que grande parte do tempo extra-escolar é dedicado à dança” revela Ana Marques.

Há muita exigência e disciplina neste caminho para a excelência na dança e o menino de nove anos conta-nos que nem sempre é fácil domar os nervos. “Sinto muito nervosismo em competição. Aquele frio na barriga, o medo de errar… da concorrência” confidencia-nos o bailarino antes de dizer que quando vai para as competições procura focar-se na vitória.

E assim foi… Martim trouxe três medalhas, a título individual, da Taça Mundial de Dança. Dois ouros pelas atuações em contemporâneo e acro-dance e uma medalha de prata pelo desempenho em balé. Momentos e conquistas que ficam na história do menino da Póvoa de Varzim, mas também da dança portuguesa.

Com olhos no futuro, Martim sonha, para já, com uma vida em que concilia a arquitetura com a dança. Até lá, não há como esquecer que Martim só tem nove anos e muitas experiências pela frente, por isso, enquanto as grandes decisões não são tomadas, a vida segue com a leveza de quem já conquistou muito muito cedo. E que no fim de cada dia continua a mergulhar na aventura que é ser criança.

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