Há "aqui um deslocamento da depressão Marta para o norte do país" e, por isso, vai afetar "outras regiões" que não estavam previstas

Agência Lusa , PP (atualizado às 14:25)
7 fev, 13:11
Proteção Civil alerta para risco elevado no Tejo e pede abandono preventivo de casas

Proteção Civil considera que o território nacional está com “um quadro meteorológico complexo de risco”

A Proteção Civil considerou este sábado que o território nacional está com “um quadro meteorológico complexo de risco”, alertando para o vento forte e persistente provocado pela depressão Marta que se vai deslocar para o norte do país.

"Terminámos há pouco mais uma atualização do quadro meteorológico, juntamente com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e com a Agência Portuguesa do Ambiente. Mantemos as previsões para o dia de hoje do vento forte e persistente, embora haja aqui um deslocamento da depressão Marta para o norte do país e, portanto, afetando outras regiões que até agora não estavam previstas a afetar", disse o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Mário Silvestre falava no ponto de situação feito às 12:40 na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.

Segundo este responsável, mantém-se o quadro meteorológico de “chuva persistente, com vento forte, com rajadas entre os 80 e os 120 km hora, com queda de neve acima de 800-900 metros e com agitação marítima forte”.

Mário Silvestre reforçou ainda que este quadro meteorológico, associado a todos os outros anteriores e, sobretudo, associado à saturação do solo e ao nível de armazenamento de águas das barragens, constitui-se “como um quadro complexo do ponto de vista do risco (…) neste momento (…) no território nacional”.

O comandante nacional da Proteção Civil alertou ainda para a necessidade de a população “redobrar os cuidados relativamente às zonas que estão inundadas ou em risco de poderem ser inundadas”.

“Mantém-se o elevado risco de inundações no Rio Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado e risco de inundação não tão grave ou [com] potencial um pouco menor no Lima, Cavado, Ave, Douro, Tâmega, Lisboa e Guadiana”, enumerou.

Segundo o responsável, existem sete planos distritais ativados (Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Lisboa, Beja e Setúbal) e 91 planos municipais.

Mário Silvestre apontou também que o plano especial para o risco de cheia na Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho.

Proteção Civil regista 1.163 deslocados e considera provável mais evacuações

O mau tempo em Portugal obrigou a deslocar 1.163 pessoas, todas realojadas, e a Proteção Civil admite como "bastante elevada" a probabilidade do número aumentar devido aos caudais dos rios, sobretudo na Lezíria do Tejo e Sado.

“Mantendo os caudais que temos neste momento a probabilidade de termos mais desalojados e evacuações preventivas é bastante elevada”, disse o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Segundo o responsável, não é possível para já fazer qualquer previsão de desagravamento do cenário de cheias e de regresso a casa dos deslocados, sendo uma situação “em avaliação permanente”, mas sublinhou que todos os deslocados foram realojados ou em serviços municipais de apoio à população ou pela Segurança Social.

“A zona do rio Tejo, toda a zona da Lezíria do Tejo, principalmente, será uma zona de potencial necessidade de evacuações, bem como a zona do rio Sado, onde pela chuva que caiu esta manhã, que parece que está também a aliviar um pouco deslocando-se para norte, poderá também haver essa probabilidade. Mas no fundo isto é uma incógnita”, disse Mário Silvestre.

O comandante nacional sublinhou que o trabalho a fazer neste momento é de acompanhamento e monitorização, incluindo pelas próprias pessoas afetadas e ainda nas zonas de risco, apelando a que façam uma avaliação permanente do perigo que correm e que contactem os serviços municipais de proteção civil e corpos de bombeiros locais a solicitar ajuda sempre que considerem necessário.

Mário Silvestre apontou que as cheias permanecem “um problema premente”, sobretudo porque as barragens continuam com cotas muito elevadas e porque os afluentes não conseguem entrar nos rios principais, devido aos caudais elevados, resultando num impacto das cheias mesmo em zonas onde os cursos de água são mais pequenos.

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