Morte de grávida foi "gota de água" para Marta Temido, assume Costa

30 ago, 16:29

Primeiro-ministro fez um "agradecimento muito profundo" à ministra e alertou que substituição "não será rápida"

Cerca de 14 horas depois da demissão de Marta Temido, António Costa reagiu publicamente à saída da ministra da Saúde. O primeiro-ministro explicou que, perante um pedido que garante ser inesperado, não se sentiu "em condições de não aceitar o pedido desta vez”. O líder do executivo reconheceu ainda que o caso da grávida que morreu durante a transferência hospitalar foi "a gota de água" para Temido, que anunciou a demissão horas depois da notícia avançada pela TVI/CNN Portugal.

“Ser membro do Governo é muito exigente e há pastas em que é particularmente desgastante do ponto de vista pessoal e do ponto de vista emocional o exercício dessas funções. Para quem foi ministro da Saúde num período tão duro como aquele que tivemos de enfrentar naqueles primeiros dois anos da pandemia, eu percebo que alguém estabeleça como uma linha vermelha a existência de falecimentos num processo que decorre em serviços que estão na sua tutela. Admito que tenha sido a gota de água”, disse.

António Costa adiantou que aceitou a demissão da ministra, realçando o "agradecimento muito profundo" a “uma ministra da Saúde que teve de enfrentar uma situação única e extraordinária que foi uma pandemia”.

Quanto ao substituto de Marta Temido, Costa garantiu que ainda não há nomes em cima da mesa e que a substituição “não será rápida”, deixando em aberto inclusive se o sucessor será um homem ou uma mulher.

"Primeiro, acho que não deve ser limitativa quanto ao género falando no masculino, logo se verá. Como já tive oportunidade de dizer, ainda não tive oportunidade de pensar”, respondeu o primeiro-ministro, quando questionado sobre o sucessor de Temido.

Quanto à hora a que o anúncio de demissão de Marta Temido foi feito, António Costa explicou que "foi a hora" em que conseguiu falar com o Presidente da República, garantindo que não iria tornar a notícia pública sem previamente informar Marcelo Rebelo de Sousa.

“Se estava a pensar que Marta Temido ia sair? Não, não estava a pensar. Percebi a razão dela. Aceitei as razões dela. Respeito as razões dela. Só tenho a agradecer o trabalho que foi feito”, referiu o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro realçou que Marta Temido vai ainda concluir a aprovação do diploma sobre a direção executiva do Serviço Nacional de Saúde - “os diplomas são dos governos, não são do ministro A ou do ministro B" - e que só depois terá lugar a sua substituição, justificando que "é natural e é desejável que quem o preparou, trabalhou e tem negociado com os outros membros do Governo seja quem o apresente e defenda no Conselho de Ministros”.

Este Conselho de Ministros extraordinário está agendado para dia 15 de setembro, mas António Costa admite que "se, dadas as circunstâncias, puder ser antecipado assim será, caso contrário mantém-se dia 15”.

O chefe do executivo deixou ainda a garantia de que esta demissão não vai ser o ponto de partida de uma remodelação do Governo.

"Achei graça ver os principais críticos do Governo a dizerem que o que importa é a mudança de políticas. Bom, mas quem quer mudanças de políticas tem de derrubar o Governo, porque este Governo tem as políticas que constam do programa do Governo e este programa de Governo é o que foi legitimado pelo voto dos portugueses. Portanto, mudanças de políticas é com mudanças de governos”, culminou António Costa.

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