Ministra da Saúde: "clima de confronto" no Hospital de Setúbal também afasta profissionais

24 nov, 11:56

Ouvida na Comissão de Saúde, Marta Temido garantiu que tudo tem sido feito para resolver as dificuldades estrurais nesta insituição. Para o próximo ano está previsto um investimento de sete milhões de euros no Centro Hospitalar de Setúbal

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"A situação do Hospital de Setúbal é decididamente uma situação de dificuldades, desde há muitos anos", admitiu a ministra da Saúde, Marta Temido, lembrando que a questão do financiamento é "estrutural" e já atravessou "vários governos".

Ouvida esta quarta-feira de manhã na Comissão de Saúde da Assembleia da República, a requerimento do PCP, sobre as dificuldades sentidas no Centro Hospitalar de Setúbal, - no que toca a "financiamento, instalações, carência de recursos humanos e equipamentos" - Marta Temido afirmou que "o investimento que tem sido no SNS no reforço dos recursos humanos também aconteceu em Setúbal".

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Segundo a ministra, atualmente o SNS tem "mais 28 mil profissionais do que tinha em 2015", dos quais 11 mil são enfermeiros e mais de quatro mil são médicos especiailistas. Assim, o Hospital de Setúbal tem mais 401 profissionais: entre os quais 37 médicos e 155 enfermeiros.

"Apesar deste reforço que tem sido feito, sabemos que este é um hospital com carências recorrentes em algumas especialidades", admitiu a ministra, sublinhando que, por isso, foram abertas aqui vagas com incentivos. "Entre 2016 e 2021 foram atribuídos a Setúbal 155 postos de trabalho", no entanto só foram preenchidos 81.

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"Temos aqui, portanto, uma dificuldade de atratividade de recursos humanos", concluiu a responsável, explicando que esta falta de atratividade pode dever-se em parte às condições de trabalho mas lembrou também que "por vezes uma intranquilidade sobre o funcionamento de uma instituição é o pior cartão de visita para atrair profissionais".  É preciso "conquistá-los para projetos de trabalho" e para isso não se deve "passar uma imagem que a instituição vive dificuldades e num clima de confronto".

Recorde-se que no início de outubro, o diretor clínico do Hospital de Setúbal e outros 86 médicos apresentaram a demissão devido à "situação de rutura" em diversos serviços, como o de urgência, nos blocos operatórios, na oncologia, na maternidade e na anestesia, entre outros.

No que toca ao financiamento, Marta Temido sublinhou que nos últimos três anos houve um investimento de mais de quatro milhões de euros em equipamentos diversos. Para o proximo anos está previsto um investimento de mais sete milhões de euros, disse.

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Isto, além da construção do novo Serviço de Urgência. Marta Temido referiu ainda que a reclassificação da unidade hospitalar (do grupo C para o grupo D) está em análise e garantiu que, se tiver condições técnicas, avançará.

Nas suas intervenções a ministra da Saúde recordou as várias medidas que foram tomadas nos últimos anos, recordando que para resolver todos os problemas do SNS "é preciso tempo": "Ainda não fomos capazes de  nos unirmos para fazer todas as transformações que é necessário fazer no Serviço Nacional de Saúde", disse. Em cima da mesa, estão vários temas, entre os quais Marta Temido destacou a devolução da autonomia às instituições para contratarem os profissionais de que precisam; a harmonização dos dois regimes - contrato individual de trabalho e contrato em função pública; a majoração do trabalho suplementar, uma vez que "o limite de 150 não é possível de ser respeitado" e a dedicação plena: "Queremos ter mecanismos que incentivem quem resolve melhor os problemas dos utentes e esperamos vir a negociar este regime numa lógica de incentivos", disse.

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