Morte de marroquino às mãos da polícia em Itália desencadeia protestos

CNN , Barbie Latza Nadeau
21 jul, 21:07
Protestos contra a morte de Abderrahim Fakir (Piero Cruciatti/Anadolu via Getty Images)
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Dois polícias e quatro socorristas estão a ser investigados por homicídio voluntário

A morte de um homem marroquino sob custódia policial provocou protestos - alguns violentos - na cidade de Bolonha, no norte de Itália, após a circulação online de um vídeo do incidente que mostra polícias a subjugar o homem à força.

Os procuradores em Itália disseram à CNN que dois polícias e quatro socorristas estão a ser investigados por homicídio voluntário do homem de 42 anos, que morreu depois de ser algemado e imobilizado pela polícia.

O homem foi identificado pela sua família como Abderrahim Fakir, que, segundo eles, era residente legal no país.

No vídeo da sua detenção, ouve-se Fakir a gritar por socorro enquanto pelo menos dois polícias o imobilizam. O caso gerou comparações com o homicídio de George Floyd pela polícia em Minneapolis, em 2020.

Foi solicitada uma autópsia para determinar a causa da morte de Fakir, de acordo com o Instituto da Medicina Legal.

A polícia não forneceu detalhes à CNN sobre o incidente, alegando que a investigação está em curso.

No entanto, informaram a afiliada da CNN e a emissora nacional italiana, RAI, que chegaram ao local no domingo, respondendo a chamadas de emergência de moradores locais sobre um homem que causava tumultos, gritava e pontapeava portas de garagem.

Disseram que os agentes chamaram uma ambulância, mas o vídeo do incidente mostra a equipa médica a aguardar autorização da polícia para se aproximar de Fakir. Foi declarado morto no local pouco antes das 10:00 locais, informou a câmara municipal de Bolonha à CNN.

Não é claro, pelo vídeo, o que aconteceu no início do confronto e como a polícia abordou Fakir inicialmente.

Milhares de manifestantes saíram às ruas de Bolonha no domingo e na segunda-feira. Algumas pessoas foram vistas a incendiar carros, a partir montras e a entrar em confronto com a polícia de choque, que usou gás lacrimogéneo e canhões de água para as conter.

Já esta terça-feira, a primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, apelou à calma, afirmando que alguns manifestantes usaram a morte de Fakir como pretexto para a violência.

“Em relação à morte de Abderrahim Fakir, é imperativo que todas as responsabilidades sejam rigorosamente apuradas. A verdade deve ser procurada de forma completa, sem preconceitos e sem concessões”, declarou nas redes sociais.

“Mas nada justifica a violência contra as forças da lei. Aqueles que optaram por usar este incidente como pretexto para devastar a cidade, atacar polícias e semear a violência, pondo em risco a segurança de cidadãos que nada tinham a ver com os distúrbios, não procuravam a verdade: procuravam o confronto”, acrescentou.

O presidente da câmara de Bolonha, de centro-esquerda, Matteo Lepore, que tinha instado as pessoas a reunirem-se na cidade para exigir justiça para Fakir, disse à multidão que a Itália não queria “agentes do ICE e vítimas como George Floyd”. Mas classificou a violência como “cega, injustificada e sem sentido”.

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