Milhares de pessoas foram levadas a crer que iriam encontrar em Espanha um futuro
Marrocos não planeou a entrada de dezenas de milhares de cidadãos em Ceuta, mas também não ajudou a parar o fluxo e ainda está a tirar partido político da situação a nível internacional.
Essa é a avaliação das secretas espanholas, que analisaram, segundo o El País, a crise migratória que levou mais de 60 mil pessoas a passarem a nado a fronteira entre Marrocos e Espanha.
A migração em massa teve origem numa partilha nas redes sociais que tentou repercutir uma decisão do Tribunal Supremo, que confirmou que não se pode aplicar a lei da devolução a quente aos migrantes que cheguem a nado a Ceuta e Melilha.
O El País escreve que a versão que os milhares de jovens receberam indicava que Espanha iria recebê-los de braços abertos e que nunca seriam repatriados.
Caso se confirmasse o envolvimento de Marrocos, isso não seria uma novidade total. Foi o que aconteceu em 2021, na altura com a entrada em Ceuta de 10 mil pessoas. Agora, as entradas em território espanhol vinham a subir a conta-gotas, até à entrada maciça do final de julho.
Num evento que coincidiu com a Festa do Trono, os migrantes aproveitaram o relaxamanento das autoridades marroquinas para escapar mais facilmente ao controlo.
Ainda segundo aquele diário espanhol, o Estado marroquino não coordenou a passagem dos cidadãos, mas viu-a como uma oportunidade, nomeadamente para colocar a sua reivindicação de Ceuta e Melilha nas primeiras páginas dos jornais.
