Autoridades espanholas e europeias alertam para a existência de máfias que fomentam a imigração ilegal
“Em Espanha ninguém nos ajudou”. É com desilusão que milhares de jovens que atravessaram a nado e a pé a fronteira entre Marrocos e Ceuta estão agora a regressar, a conta-gotas, de onde vieram.
Uma reportagem do El País dá conta de como os cerca de 60 mil migrantes são jovens do sexo masculino, muitos deles à procura de uma vida melhor, muitos deles enganados por alguém.
“Disseram-nos que tínhamos um lugar para ficar e um visto para Algeciras, mas era tudo mentira”, afirmou Mohamed, um rapaz de 18 anos que estava exausto e desabafou àquele diário enquanto descansava à sombra de um café encerrado, como tantos outros estabelecimentos comerciais nestas horas.
Em Ceuta moram pouco mais de 80 mil pessoas e do nada chegaram outras 60 mil. Como disse o autarca da cidade, Jesús Vivas, foi como se 34 milhões de pessoas tivessem entrado em Espanha de uma só vez.
Em Fez, a 290 quilómetros para sul, Mohamed já não estuda e não consegue arranjar trabalho. Fez o caminho para norte e atirou-se ao mar à procura de algo que lhe prometeram, mas que não encontrou.
O sonho de obter papéis para conseguir chegar até à Península Ibérica e poder chegar legalmente à Europa não foi cumprido, portanto. Como tantos outros, antes de fazer o difícil caminho para casa teve de dormir num qualquer jardim.
Conseguiu comer, muito graças aos amigos e ao envio de dinheiro de alguns familiares, mas a desilusão ninguém lhe tira.
A dúvida de quem convenceu Mohamed a tentar a sorte fica, mas as autoridades espanholas e até europeias têm insistido em apontar o dedo às “máfias” que tentam ganhar com a imigração ilegal.
