Mais destaques: "A política de imigração dos últimos anos foi uma calamidade", "a iniciativa da flotilha tem muito de hipocrisia", "o Governo agiu bem ao reconhecer o Estado da Palestina" porque "estávamos a assistir a um massacre inqualificável em Gaza", "não pode haver impunidade numa tragédia como a do elevador da Glória, não se pode branquear o que aconteceu". Entrevista exclusiva à CNN Portugal
O candidato presidencial Luís Marques Mendes teceu duras críticas ao seu oponente na corrida a Belém, Gouveia e Melo, que acusa de se ter "viciado em politiquice" e de passar os dias a atacá-lo, depois de Gouveia e Melo ter sugerido que o PSD iria cobrar "a dívida" do apoio que está a dar a Marques Mendes.
"Gouveia e Melo fez um trabalho exemplar na vacinação. Eu devo ter sido a pessoa no espaço público que mais o elogiou e não me arrependo. Mas neste momento ele é outro. Viciou-se em politiquice e está quase dia sim e dia não a atacar-me. Eu percebo-o, as sondagens não o têm beneficiado", afirmou Marques Mendes em entrevista exclusiva à CNN Portugal.
Questionado sobre se gostaria de ter o apoio do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, Marques Mendes admitiu que ficaria feliz com essa possibilidade. "Se eu tiver o apoio de Passos Coelho, fico muito satisfeito. Se não tiver, não fico zangado com ele. Tem todo o direito a ter toda a sua liberdade de decisão. Foi um primeiro-ministro patriótico e corajoso, no momento mais difícil da democracia portuguesa", sublinha.
"Política de imigração foi uma calamidade"
Luís Marques Mendes abordou também o tema da imigração, analisando a lei de estrangeiros aprovada pela Assembleia da República e promulgada por Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato presidencial acredita que a lei, que foi aprovada depois de um chumbo no TC - a que se seguiu uma revisão -, "ficou melhor que na primeira versão" e elogia todo o processo - diz que é sinal de que todas as instituições funcionaram. Quanto à imigração em sim: "A imigração é uma grande oportunidade. Nós precisamos de imigrantes, perdemos população e precisamos de mão-de-obra. Mas tem de ser uma imigração com moderação. Quem é que usou esta palavra? Jorge Sampaio, um visionário nesta matéria", afirmou, acrescentando que a "política de imigração dos últimos anos foi uma calamidade".
Para o antigo comentador, é preciso existir regulamentação e integração. Algo que Marques Mendes defende que "não aconteceu nos últimos anos", com a lei da manifestação de interesses e a extinção do SEF. "Nós corremos o risco de perder a confiança das pessoas." Marques Mendes defende que Portugal devia privilegiar a vinda de cidadãos dos países lusófonos, particularmente de Angola e Moçambique.
Elogios ao Governo sobre a Palestina, críticas à flotilha; cético quanto a Budapeste
Ao nível da atualidade internacional, Maques Mendes considera que o Governo "agiu bem ao reconhecer o Estado da Palestina" e "fê-lo no tempo certo": "Estávamos a assistir a um massacre inqualificável em Gaza" disse. Já sobre a flotilha, a opinião é menos favorável: "Tem muito de hipocrisia", considera o candidato presidencial.
Sobre a Ucrânia, diz que tudo aquilo que é feito para "alcançar a paz" ou atingir um cessar-fogo "é importante", incluindo a cimeira de Trump e Putin em Budapeste. Mas está cético: "O caráter errático da administração americana não gera grande credibilidade quando passamos à negociação, sobretudo com Putin, que é uma pessoa com enorme experiência. Tivemos a cimeira do Alasca há pouco mais de dois meses. Tivemos muita passadeira vermelha e zero resultados concretos", afirmou o candidato presidencial.
O facto de o encontro entre os dois líderes estar prestes a ocorrer em Budapeste, na Hungria, um país com muitos interesses alinhados com Moscovo, não é um bom sinal. Mas Marques Mendes insiste que, tal como em Gaza, era importante um cessar-fogo que permita negociar tudo o resto.
Questionado sobre como lidaria com Donald Trump, caso seja eleito Presidente da República, Marques Mendes sublinhou que o faria "com sentido de Estado", independentemente da opinião que se possa ter em relação ao presidente dos EUA.
"Não pode haver impunidade" na tragédia do elevador
Sobre o relatório preliminar da Gabinete de Prevenção de Acidentes Ferroviários (GPIAF) relativo ao acidente no elevador da Glória, que é demolidor para a Carris, o candidato presidencial apela à cautela enquanto não surge o relatório final, mas quer muita exigência em relação ao futuro.
"O que eu desejo é que o relatório definitivo seja muito claro nas causas que deram origem a este procedimento e que seja claro acerca das medidas que é preciso tomar para evitar novos acidentes", afirma Marques Mendes, acrescentando que "não pode haver impunidade" devido ao elevado número de vítimas do acidente. "Não se pode branquear o que aconteceu."