"Não é tempo de tiros no escuro": Marques Mendes quer ser o Presidente de todos os portugueses e por isso entregou o cartão de militante do PSD
No dia em que apresentou oficialmente a sua candidatura à Presidência da República, comprometeu-se com uma magistratura "de isenção, independência e imparcialidade". O almirante Gouveia e Melo não foi esquecido, mesmo sem nunca ter o seu nome referido
Luís Marques Mendes apresentou esta quinta-feira a sua candidatura oficial à Presidência da República, nas eleições de 2026. Escolheu "a terra natal" porque foi ali "que tudo começou". Garantiu que "vai lutar para ganhar" e revelou que entregou o "cartão de militante do PSD" para poder ser o Presidente de todos os portugueses. Considerou essa decisão "um ato simbólico", mas que representa o seu compromisso com uma magistratura "de isenção, independência e imparcialidade".
Marques Mendes fez questão de não esconder a sua experiência dizendo que tem "um percurso político do qual" se orgulha. E, por isso, quis "reafirmar" a sua história e lembrar a forma íntegra como sempre fez política "em favor de Portugal". Lembrando ainda que "o cargo de Presidente da República é eminentemente político e deve ser exercido por alguém com experiência politica", até porque os tempos que se vivem não aceitam "política sem princípios ou política sem experiência", ressalvando mesmo que "Não é tempo de aventuras, experimentalismos ou tiros no escuro". Afirmações que muitos interpretaram como dirigidas a uma possível candidatura do Almirante Gouveia e Melo.
Sem nunca referir o tempo que ainda falta até à eleição do próximo inquilino de Belém, Luís Marques Mendes descreveu este como "um momento especial" para si e que deseja "retribuir ao país", o "muito" que o país lhe deu.
Recordou que "serviu o país" durante "22 anos" e que foi deputado, autarca, secretário de Estado, ministro de quatro governos e líder do PSD e que ainda é "conselheiro de Estado". Um percurso que lhe dá experiência política que pode ser uma mais-valia para o cargo a que se candidata. Ao relembrar o seu passado, assumiu querer "reafirmar a sua história" e a "forma íntegra como sempre fez política em favor de Portugal".
Defendeu que a sua candidatura é "assente em valores, fundada em desafios e fundada em compromissos", sendo ainda "orientada por desafios", com destaque para o desafio da "esperança para os jovens em especial" - jovens "bem preparados" e que a "sociedade "não os valoriza".
Uma das palavras mais ouvidas foi "ética" e Marques Mendes foi ao passado para lembrar uma frase de Sá Carneiro: "A política sem ética é uma vergonha". Apesar de "as eleições legitimarem um politico, não o dispensam da ética", reforçou.
O antigo líder parlamentar do PSD considerou que, em tempos de incerteza mundial e nacional, "com um Parlamento mais polarizado, dividido e fragmentado do que nunca", exigem-se algumas condições ao chefe do Estado. E mesmo assumindo que "a experiência não é tudo", defendeu que "só a experiência garante segurança e previsibilidade".
Marques Mendes disse ainda entrar nesta candidatura "de forma convicta, genuína, empenhada" e para vencer.
"Tudo farei para merecer a confiança maioritária dos portugueses (…) Estou aqui ao lado dos portugueses. Estou aqui para os ouvir e ser a sua voz. Estou aqui para ajudar a renovar a esperança", prometeu, terminando a sua intervenção de cerca de 20 minutos dizendo que "Portugal vale sempre a pena".
Num auditório aparentemente pequeno, mas carregado de simbolismo, já que tem o nome do seu pai, António Marques Mendes, Luís Marques Mendes regressou ao local onde cresceu, rodeado de memórias e amigos, mas sem rostos conhecidos do PSD. Não faltaram palmas e à entrada, questionado sobre estas ausências, justificou que é uma candidatura que parte de uma decisão individual à qual os partidos se poderão associar. Sobre o desafio que se adivinha também garantiu que "não há impossíveis". "Eu gosto de desafios difíceis."
