Mark Rutte avisa a Europa que bem pode "continuar a sonhar" se pensa que pode defender-se sem os EUA: "Boa sorte"

CNN , Caitlin Danaher
27 jan, 08:48
Mark Rutte e Donald Trump (Mandel Ngan/AFP/Getty Images)

Secretário-geral da NATO elogia o presidente norte-americano, Donald Trump, por levantar a questão da segurança no Ártico, apontando que está em causa a segurança de todos

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, avisou a Europa de que pode "continuar a sonhar" se pensa que se pode defender sem o apoio dos Estados Unidos.

"Se alguém ainda pensa que a União Europeia, ou a Europa como um todo, pode defender-se sem os EUA, continuem a sonhar. Vocês não podem. Nós não podemos. Precisamos uns dos outros", declarou Mark Rutte, durante um discurso no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na segunda-feira.

O secretário-geral da NATO avisou que os países europeus precisam de aumentar as despesas com a defesa para 10% se "realmente quiserem fazê-lo sozinhas", acrescentando que precisam de desenvolver a sua própria capacidade nuclear, o que custaria milhares de milhões de euros.

"Neste cenário, vão perder a garantia máxima da nossa liberdade, que é a proteção nuclear dos EUA. Por isso, boa sorte", insistiu.

As declarações de Mark Rutte surgem após uma semana turbulenta para a Europa e para os seus aliados ocidentais, depois de o presidente Donald Trump ter continuado a insistir nas suas exigências para a anexação da Gronelândia, antes de descartar publicamente o uso da força para anexar a ilha do Ártico durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.

O dirigente da NATO continuou a elogiar Trump por ter levantado a questão da segurança no Ártico, reconhecendo que o facto de estar a defender o presidente norte-americano provavelmente irritaria muitos dos que estavam presentes na sala.

“Acho que ele [Trump] tem razão. Há um problema na região do Ártico. Há uma questão de segurança coletiva, porque estas rotas marítimas estão a abrir-se e os chineses e os russos estão cada vez mais ativos”, disse.

Mark Rutte adiantou que estão previstas duas frentes de trabalho para resolver a questão da Gronelândia. A primeira envolverá a NATO, que deverá assumir uma maior responsabilidade coletiva pela defesa do Ártico, de modo a impedir o acesso da Rússia e da China à região, tanto a nível militar como económico.

A segunda opção vai passar pela continuação das discussões trilaterais entre os EUA, a Dinamarca e a Gronelândia. Rutte sublinhou que não vai participar nestas discussões, já que não tem mandato para negociar em nome da Dinamarca.

O ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, e o seu homólogo da Gronelândia, Vivian Motzfeld, reuniram-se com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio em Washington, no início deste mês. No final, Lars Løkke Rasmussen adiantou aos jornalistas que, apesar de a reunião ter sido “construtiva”, continua a haver uma “divergência fundamental”.

Na semana seguinte, Trump e Rutte reuniram-se em Davos, com o presidente dos EUA a afirmar ter chegado a um acordo preliminar sobre a Gronelândia com o chefe da NATO e, consequentemente, deixando cair a ameaça de mais tarifas contra as nações europeias que se opunham às suas ambições de adquirir o território semiautónomo da Dinamarca. Ainda não é totalmente claro o que está incluído neste acordo preliminar, nem o papel exacto de Mark Rutte nas negociações, mas a surpreendente mudança de posição de Trump voltou a colocar o secretário-geral da NATO no centro das atenções.

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