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Morreu Mario Vargas Llosa

14 abr 2025, 01:58
Mário Vargas Llosa

Tem um Prémio Nobel da Literatura entre vários outros prémios, contribuindo decisivamente para um lugar de destaque que a literatura da América Latina passou a ter

Morreu o escritor peruano Mario Vargas Llosa aos 89 anos. De acordo com o filho, o autor morreu este domingo em paz e rodeado pela família.

Álvaro Vargas Llosa confirmou a morte na rede social X, onde dá conta de que toda a família lamenta a perda e pede privacidade na despedida.

"Esperamos que [os leitores ao redor do mundo] encontrem consolo, assim como nós, no facto de ele ter tido uma vida longa, múltipla e frutífera, e deixa para trás uma obra que sobreviverá", pode ler-se na publicação.

Con profundo dolor, hacemos público que nuestro padre, Mario Vargas Llosa, ha fallecido hoy en Lima, rodeado de su familia y en paz. @morganavll pic.twitter.com/mkFEanxEjA

— Álvaro Vargas Llosa (@AlvaroVargasLl) April 14, 2025

Ainda de acordo com a mensagem da família, nas próximas horas e dias, as cerimónias fúnebres serão realizadas "de acordo com as suas instruções", pelo que "não haverá cerimónia pública".

"A nossa mãe, os nossos filhos e nós próprios confiamos que teremos espaço e privacidade para nos despedirmos dele em família e na companhia dos seus amigos mais próximos. Os seus desafios, como ele desejava, serão cremados", lê-se na mensagem.

Um dos nomes mais icónicos da literatura da América Latina, a par de nomes como Gabriel García Marquéz ou Isabel Allende, Mario Vargas Llosa conta com uma extensa obra literária, o que lhe valeu, entre outros, o Prémio Nobel da Literatura em 2010, com a academia sueca a destacar a "cartografia das estruturas do poder" que era visível nas obras de um homem que também procurou sempre intervir na política. Chegou mesmo a ser candidato presidencial no Peru em 1990, numa corrida que perdeu para Alberto Fujimori.

Além do prémio máximo da literatura mundial, recebeu também o Prémio Cervantes (1984), em distinções para as quais contribuíram livros como "A tia Júlia e o escrevedor", "Conversa na catedral", "A guerra do fim do mundo", "Elogio da madrasta" ou o livro de memórias "Como peixe na água".

Em Portugal, a obra de Vargas Llosa é editada pela Quetzal, que já publicou títulos como "Dedico-lhe o meu silêncio", "García Márquez - História de um deicídio", "Conversas em Princeton", "Tempos duros", "O apelo da tribo", "A civilização do espetáculo", "Cinco esquinas", "O heróis discreto", "O sonho do celta".

Durante anos, Llosa fez parte do catálogo das Publicações Dom Quixote, do Grupo Leya, que revelou obras como "Conversa n'A Catedral", "A tia Júlia e o escrevedor", "As travessuras da menina má", "Os contos da peste", "A festa do chibo", "A guerra do fim do mundo", "O falador", "Quem matou Palomino Molero?" e "História de Mayta" - sem esquecer "Duas solidões", que documenta o diálogo entre García Márquez e Vargas Llosa sobre literatura latino-americana, ocorrido em Lima, em 1967, com testemunhos, entrevistas e um ensaio do escritor peruano sobre o autor colombiano.

A presença de Vargas Llosa no mercado livreiro português passou também por outras editoras como as Publicações Europa-América ("A cidade dos cães") e a Quasi ("Diário do Iraque", "Israel Palestina"). "O barco das crianças", para leitores mais novos, foi publicado pela Presença, com tradução de poeta Vasco Gato.

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