Itália perde primeiro-ministro: Mario Draghi demite-se

14 jul, 17:57
Mario Draghi na Cimeira da NATO em Madrid (AP Photo/Paul White)

Nova crise no governo italiano, que desde 1945 já teve 69 mandatos diferentes

O primeiro-ministro de Itália anunciou esta quinta-feira ao seu Conselho de Ministros que se vai demitir Mario Draghi justifica-se com o facto de não ter base de apoio parlamentar para garantir que o programa do governo pode ser cumprido.

"No discurso de tomada de posse no parlamento disse que este governo só iria para a frente se houvese uma clara perspetiva de poder ser capaz de implementar o seu programa", disse o governante demissionário, que afirmou ainda que "a unidade nacional acabou".

Mario Draghi, que tinha tomado posse em fevereiro de 2021, até sobreviveu a uma moção de confiança votada esta quinta-feira no parlamento italiano, mas o facto de o Movimento 5 Estrelas não ter participado na votação (todos os senadores do partido se ausentaram) levou o primeiro-ministro a concluir que o governo perdeu as bases de apoio.

O primeiro-ministro demissionário já tinha dito que a votação seria crucial para a continuidade do governo, numa altura em que se prevê uma luta política para as eleições nacionais que devem acontecer no início de 2023.

A razão da rutura entre Draghi e o líder do M5S, Giuseppe Conte, que o antecedeu no cargo de primeiro-ministro, foi um decreto sobre um pacote de ajuda contra a inflação que o movimento de extrema-direita considera “insuficiente”.

Mas este foi apenas mais um dos episódios de desavenças entre Draghi e o M5S, que parecia cada vez mais distanciado da estratégia do Governo, criticando mesmo o apoio a Kiev na sua resistência contra a invasão russa.

"Nestes dias, da minha parte, houve o máximo empenho em seguir um caminho comum. Tentei compreender as exigências que as forças políticas me fizeram. Como comprovam o debate e a votação de no parlamento, esse esforço tem sido insuficiente", lamentou o primeiro-ministro demissionário.

A ausência do Movimento 5 Estrelas não boicotou apenas a confiança a Mario Draghi, mas também um pacote social que previa um conjunto de medidas para ajudar a população e definir o rumo de Itália. Entre o pacote estavam medidas para garantir milhares de milhões de euros em fundos da União Europeia, propostas para combater a seca no país e ainda outras que visavam diminuir a dependência italiana do gás natural russo.

A decisão foi comunicada ao Conselho de Ministros depois de uma reunião com o presidente de Itália, Sergio Mattarella.

É mais uma crise no executivo italiano, conhecido precisamente por isso. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial Itália teve 69 governos diferentes, à média de um ano e onze meses para cada executivo.

Antes de ter sido eleito Mario Draghi foi presidente do Banco de Itália, entre 2006 e 2011 e do Banco Central Europeu, entre 2011 e 2019.

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