Draghi: "Preferimos a paz ou o ar condicionado ligado? Esta é a pergunta"

7 abr, 06:23

Primeiro-ministro italiano diz que, se a decisão for para deixar de comprar energia à Rússia, a Itália seguirá a decisão da União Europeia

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, enfatizou na quarta-feira que a Itália seguirá a posição comum sobre qualquer decisão tomada pela União Europeia sobre as futuras sanções contra a Rússia.

"Preferimos a paz ou o ar condicionado ligado? Esta é a pergunta que devemos fazer", disse nesta quarta-feira o primeiro-ministro italiano, sobre o dilema europeu de travar ou não as compras de petróleo e gás russos.

Em conferência de imprensa, Draghi garantiu que o seu país acompanhará a decisão europeia sobre um eventual embargo à importação de energia russa, qualquer que seja o acordo alcançado a 27. Se a decisão for para deixar de comprar energia à Rússia, "ficaremos felizes em seguir" a posição comum, garantiu Draghi, apesar de a Itália se fortemente dependente do gás russo. 

"O que queremos é o instrumento mais eficaz para a paz. Nós nos perguntamos se o preço do gás pode ser trocado pela paz. Diante dessas duas coisas, o que preferimos: paz ou estar tranquilamente com o ar condicionado ligado o verão todo? E você, o que você prefere: a paz ou o ar condicionado ligado?", questionou Draghi, dirigindo-se diretamente ao jornalista que o havia questionado. "Esta é a pergunta que devemos fazer."

Apesar desta disposição para acompanhar um eventual embargo europeu, o chefe do governo italiano assegurou que a suspensão das importações de gás da Rússia não está neste momento a ser considerada a nível da UE. "Um embargo de gás ainda não está em cima da mesa e não sei se alguma vez estará", disse Draghi aos jornalistas. 

Caso os 27 cheguem a um consenso para suspender os fluxos de gás de Moscovo, a Itália ainda teria reservas para cobrir as suas necessidades até finais de Outubro, esclareceu o primeiro-ministro italiano. Porém, admitiu que o executivo ainda não tem qualquer plano para a eventualidade de deixar de receber gás russo, nomeadamente para um cenário de racionamento de energia. "É muito cedo para isso".

A probabilidade de um consenso europeu para deixar de importar energia russa é, neste momento, bastante baixa.

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