Centeno pede "paciência" ao PS para não criar "distopias" que alimentam o populismo

Agência Lusa
30 jun, 17:53
Mário Centeno (Lusa)
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Antigo ministro das Finanças ressaltou que a sensação de que "objetivos legítimos" são "inalcançáveis" resulta em frustração e aumenta o apoio a políticos populistas

O ex-ministro das Finanças Mário Centeno avisou hoje que a “paciência é a coisa mais escassa nas sociedades modernas”, considerando que medidas com objetivos não alcançáveis alimentam frustrações das pessoas, que são depois aproveitadas pelos populistas.

“Não vamos conseguir ultrapassar esta situação com sucesso - como ultrapassámos a pandemia (…) e a questão inflacionista - se não conseguirmos colocar na nossa agenda e na agenda das pessoas esta dimensão de entendimento de que isto não é para resolver apenas num mês ou apenas num ano”, disse Mário Centeno na sua intervenção durante o último dia das jornadas parlamentares do PS, na Amadora, em Lisboa.

Para o antigo governador do Banco de Portugal, todos os políticos têm de ter “muito presente” que “a paciência é a coisa mais escassa nas sociedades modernas”.

“Nós tornamos muitas vezes e muito facilmente as utopias em distopias e transformamos objetivos que são absolutamente legítimos de uma forma que dá a sensação de que são de tal maneira inalcançáveis que geram o pior dos sentimentos para o nosso trabalho, mas o melhor dos sentimentos para os populistas, que é a frustração”, avisou.

Centeno pediu por isso que não se insista “em objetivos inalcançáveis”, dando neste momento como exemplo a questão dos médicos de família.

“Nós só vamos gerar distopias onde tínhamos antes coisas que todos podemos concordar. É evidente que os médicos de família são um desses casos. Nós transformamos uma discussão positiva numa coisa que apenas gera sangramento político e discussão que não tem nenhum sentido. Nunca vai acontecer, acreditem no que eu estou a dizer”, defendeu.

Também na habitação há este risco, de acordo com o ex-ministro dos governos de António Costa.

“É uma das causas, consequências, resultados da crise financeira que hoje ainda vivemos. Nós destruímos o setor da construção, aniquilámos o setor da construção e depois esperávamos que quando tivéssemos rendimento para comprar a casa, as casas aparecessem. Isso não vai nunca acontecer”, alertou.

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