Crise económica no horizonte pode transformar-se numa "crise financeira", alerta Centeno

20 jun, 13:53

Em declarações na primeira edição do CNN Portugal Summit, que teve como tema “A Economia portuguesa num contexto de incerteza”, falou ainda sobre a possibilidade de alargar a chamada bazuca europeia e sobre o pedido de Costa aos privados para aumentar salários em 20% nos próximos anos

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, afirmou que há a possibilidade de a crise económica se transformar numa crise financeira. Porém, o antigo ministro das Finanças sublinha que a Europa está numa melhor situação para lidar com a crise do que em 2011 e não descarta o alargamento da chamada bazuca europeia, vendo o aumento salarial de 20% em quatro anos pedido por Costa como atingível.

“Do ponto de vista de um banco central, temos de garantir que esta crise económica que se desenha no horizonte – que é uma ameaça – não se transforme numa crise financeira. […] Esses riscos não podem ser retirados da mesa, porque nós temos sempre de ter medidas para os acautelar”, afirmou, em declarações na primeira edição do CNN Portugal Summit, que teve como tema “A Economia portuguesa num contexto de incerteza”.

Questionado pelo diretor-executivo da CNN Portugal, Pedro Santos Guerreiro, sobre se o Euro pode estar em risco, Mário Centeno afastou qualquer hipótese de esse ser um cenário que esteja em cima da mesa.

"Hoje, no Euro, temos instituições muito mais fortes do que nos anos anteriores. A Comissão emite dívida em nome dos estados até 2026. Temos instrumentos de lado que não existiam antigamente. O euro pode estar em risco? Não, de todo. O euro tornou-se mais sólido depois das decisões de 2020. Não vejo nenhuma indicação de que isso possa ser um problema", frisou.

Ainda assim, alerta para “os velhos argumentos” que considera ser “uma tentação muito grande” que existe na Europa de “caráter penalizador”. “Nós não podemos considerar que, na Europa, a dimensão de redução do risco e de solidariedade não vão a todo o momento de mãos dadas. Elas têm de ser coordenadas e foi exatamente isso que foi feito em 2020 [com a pandemia]”, explicou.

O governador do Banco de Portugal sublinha que as taxas de juro vão subir gradualmente "dos níveis negativos onde ela hoje ainda se encontra para níveis próximos do que se convenciona chamar a taxa natural", mas garante que as empresas, o Estado e as famílias estão preparados para acompanhar esta subida.

Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que vai criar um instrumento “anti-fragmentação” nos mercados de dívida, depois de países como Itália e Espanha verem os prémios de risco dispararem nos últimos dias, comparativamente à Alemanha.

“Se for bem desenhado, [este instrumento] nunca vai ser utilizado”, apontou Mário Centeno, explicando que “só a mera existência” da ferramenta vai prevenir certos comportamentos dos investidores.

"Não estamos numa situação em que possamos entrar em semipânico", sublinhou Mário Centeno. "Estão nesta altura criadas condições para que os salários também subam, para que os ganhos de produtividade sejam mais facilmente distribuídos entre os trabalhadores e o capital."

"Devemos esperar aumentos salariais?", pergunta Pedro Santos Guerreiro. "Como, aliás, Portugal conseguiu ter no período pré-covid", responde Mário Centeno.

Por esse motivo, justifica Mário Centeno, a economia portuguesa é capaz de suportar o aumento dos salários em 20% em quatro anos, conforme apelou o primeiro-ministro. O antigo ministro das Finanças recordou que, nos últimos seis anos, com um crescimento da economia de 4%, os salários aumentaram 22%. Porém, o governador do Banco Portugal admite que o Estado não deve aumentar os salários da Função Pública em linha com a inflação, caso estas criem pressões inflacionistas. 

"O crescimento económico e o comportamento do mercado de trabalho são as duas forças que nos dão ânimo. Nós não podemos descansar em cima daquilo que são números passados. Portugal destaca-se muito em 2022 em contexto europeu. Nós tivemos um crescimento muito forte em 2021".

Sobre a Saúde, Centeno recordou o que disse no ano de 2017, quando disse que o problema da Saúde é um problema de gestão hospitalar. Atualmente, diz o governador do Banco de Portugal, não existem motivos para mudar de opinião. 

"Disse isso em 2017 e não vejo nenhuma razão para ter mudado de opinião. É na rede hospitalar e como gerimos os recursos que temos de trabalhar. Do ponto de vista operacional, as urgências hospitalares consumem recursos humanos em grande escala e isso é uma preocupação", frisou.

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