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Economista. Comentador da CNN Portugal no espaço semanal "O Trigo do Joio"

"Não foi na vida do ministro, não foi na minha": Mário Centeno critica reforma na Educação para resolver um problema que não existia

20 jul, 22:37
O Trigo do Joio
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Comentador da CNN Portugal não tem dúvidas: o responsável máximo tem de ser quem está à frente do Ministério da Educação

O sistema de classificação de exames funcionou ao longo das últimas décadas e a introdução de um novo modelo está a gerar o caos na Educação.

Mário Centeno lamenta que este seja o culminar de 12 anos de trabalho para muitos estudantes, alguns deles ainda com a incerteza sobre o que lhes vai acontecer num futuro próximo.

No seu habitual espaço de comentário às segundas-feiras na CNN Portugal, o antigo ministro das Finanças sublinha que “volta e meia temos alguma perturbação neste momento crucial na vida dos estudantes”, pelo que o poder político “tem de fazer tudo” para evitar situações como estas.

“Às vezes dormimos melhor, uns dias do que outros, mas não nos deve deixar de manter acordados à noite esta situação”, referiu, numa clara menção às palavras do ministro da Educação, que garantiu que poderá “dormir tranquilo” depois de muitas noites sem o fazer.

Mário Centeno lamenta que esteja colocada em causa a justiça entre os estudantes, desde logo porque nem todos têm conhecimento das mesmas informações, mas também porque o tempo para a tomada de decisões também não é o mesmo para todos.

“Hoje em dia o reconhecimento de que isto é assim é precisamente o anúncio da época especial. Existe uma época especial porque temos dúvidas”, refere, ligando todo o caso a Fernando Alexandre, “quer ele queira, quer não”.

“Na política, quem está à frente dos ministérios é o responsável”, acrescenta, sem querer desvendar se defende ou não a saída do ministro da Educação.

Voltando à situação em si, Mário Centeno admite até que estejam em cima da mesa questões legais, uma vez que está em causa, para muitos alunos, o acesso ou não ao Ensino Superior.

“Não foi na vida do senhor ministro, não foi na minha vida. Todos, obviamente, beneficiámos de um processo de entrada na universidade tranquilo”, sublinha, passando depois para a questão da reforma.

O antigo ministro das Finanças lembra que o objetivo de uma reforma é resolver um problema. “Havia um problema no acesso à universidade? Estava identificado algum constrangimento, alguma falta de transparência, de seriedade, de clareza no processo? Não. Portanto, problema eu acho que não havia”, continua.

Mário Centeno refere que a digitalização não pode ser um fim em si próprio e que “não podemos ter uma visão quase que pacóvia” em relação a este tema, já que a digitalização “também tem aspetos negativos”, desde logo na proteção da identidade das pessoas.

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