"Je suis Marine": extrema-direita europeia, Rússia e até Musk unem-se contra a UE pela "injustamente condenada" Le Pen

31 mar 2025, 23:13
Marine Le Pen e Putin

Defensores da líder do União Nacional entendem condenação como uma "declaração de guerra de Bruxelas" e "um ataque à democracia". “Uma tentativa de tirar Le Pen da vida política", diz Matteo Salvini

Os líderes dos partidos de extrema-direita europeus estão unidos em torno de Marine Le Pen num ataque direto à União Europeia. Para deleite de Moscovo e com o apoio de Elon Musk, os populistas consideram Bruxelas como a responsável por detrás da proibição de participação política de cinco anos imposta à mulher que é o rosto da extrema-direita francesa.

Le Pen, que era dada como favorita, fica assim afastada da corrida às eleições presidenciais francesas de 2027 - caso o recurso apresentado pela defesa da líder partidária não seja aceite. O vice-primeiro-ministro italiano e líder da Liga, Matteo Salvini, disse que a condenação da líder partidária é uma "declaração de guerra de Bruxelas num momento em que os impulsos beligerantes de von der Leyen e Macron são aterrorizantes", referindo-se aos esforços para pressionar o rearmamento da Europa perante a ameaça russa.

De realçar que a sentença aplicada a Marine Le Pen não partiu de nenhuma instância europeia, mas sim de um tribunal francês. E Moscovo também não perdeu a oportunidade: “"Cada vez mais capitais europeias estão a escolher o caminho de atropelar as normas democráticas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deixando claro que a condenação de Le Pen mostra que os governos europeus ficam felizes em "ultrapassar os limites da democracia".

Elon Musk, homem mais rico do mundo, dono da SpaceX, da Tesla, do X e nova figura central da administração norte-americana, também recorreu à sua própria rede social para atacar o que chama de “esquerda radical” da Europa. “Quando a esquerda radical não consegue vencer pelo voto democrático, ela abusa do sistema legal para aprisionar os seus opositores. Este é o manual padrão deles ao redor do mundo”, escreveu no X.

Já Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria com afinidades a Vladimir Putin, também passou pelo X para escrever apenas: “Je suis Marine”. Expressão que ficou amplamente conhecido após o ataque terrorista contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo.

Orbán, Le Pen e o Vox são cofundadores do partido europeu Patriotas pela Europa e Santiago Abascal, líder do partido de extrema-direita espanhol, também quis comentar o tema que considera uma tentativa de silenciamento de Bruxelas. “Eles não conseguirão silenciar a voz do povo francês", reiterou Abascal, acrescentando que "não apenas Marine Le Pen está a ser injustamente condenada, mas também a democracia francesa foi sentenciada".

Por toda a Europa, os líderes de extrema-direita fizeram-se ouvir contra o inimigo comum: a União Europeia. E com a mensagem soou quase em uníssono: “Uma tentativa de tirar Le Pen da vida política", como atirou Matteo Salvini.

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