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Juíza responsável pelo julgamento de Marine Le Pen está sob proteção policial após receber ameaças de morte

3 abr 2025, 17:52
Marine Le Pen (EPA)
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Bénédicte de Perthuis tem recebido proteção policial, com patrulhas regulares na própria residência em Paris

A juíza francesa Bénédicte de Perthuis, que presidiu ao julgamento que condenou Marine Le Pen por desvio de fundos da União Europeia, está sob proteção policial após receber várias ameaças de morte. A medida, tida por alguns políticos como necessária, foi tomada após a magistrada, especialista em crimes financeiros, ser alvo de uma violenta reação nas redes sociais, particularmente entre grupos de extrema-direita.

O julgamento, que culminou com a inelegibilidade imediata de Le Pen por cinco anos, gerou uma onda de hostilidade contra os magistrados envolvidos, com ataques pessoais e uma grande incitação à violência.

No julgamento, De Perthuis defendeu que, independentemente das figuras políticas envolvidas, o tribunal deveria aplicar a lei de forma justa e sem favorecimentos.

De acordo com fontes próximas ao caso citadas pelo jornal francês Le Figaro, De Perthuis está sob proteção policial, com patrulhas regulares na sua residência em Paris. As ameaças contra a juíza não foram, no entanto, isoladas, atingindo também outros magistrados envolvidos no julgamento.

Em resposta a essas reações, tanto o ministro da Justiça como outras figuras políticas enfatizaram a importância de respeitar a independência do poder judicial e rejeitar qualquer forma de violência ou intimidação.

O presidente francês foi uma das vozes mais sonantes ao expressar apoio à independência do poder judicial, destacando a necessidade de proteger os juízes. Emmanuel Macron disse que "os juízes devem ser protegidos", referindo-se diretamente às ameaças recebidas por De Perthuis e outros magistrados após o veredicto.

"O presidente lembrou três coisas. A primeira é que, obviamente, o poder judicial é independente e toma as suas decisões com total independência, pelo que deve ser respeitado como um pilar da nossa democracia. A segunda coisa é salientar que as ameaças feitas contra os juízes são absolutamente intoleráveis, porque, mais uma vez, estamos numa democracia. E, em terceiro lugar, reiterar que todos têm direito a uma justiça igual e que a lei é igual para todos", afirmou a porta-voz do governo, Sophie Primas, referindo-se à declaração do Chefe de Estado.

O ministro da Justiça Gérald Darmanin também condenou as ameaças, classificando-as como "inaceitáveis numa democracia".

O Conselho Superior da Magistratura da França e outros políticos, incluindo membros do partido de extrema-esquerda, também expressaram a sua preocupação com as ameaças, apelando ao respeito pela justiça

Quanto a Marine Le Pen, prometeu recorrer da decisão, chamando-a de "decisão política" e alegando que a medida a excluía injustamente da corrida presidencial de 2027. A reação da até então presumível sucessora de Macron nos destinos de França foi seguida por um apelo à mobilização em protesto, com a promessa de um comício.

Bénédicte de Perthuis, a juíza que trocou os planos de Le Pen

Bénédicte de Perthuis, de 63 anos, é conhecida entre os franceses por ser altamente respeitada no sistema judicial, especialmente pela sua experiência em casos de crimes financeiros. Segundo o jornal francês Le Dauphiné Libéré, antes de presidir ao julgamento de Marine Le Pen, De Perthuis, que tem uma longa carreira, trabalhou em diversos tribunais e presidiu a casos de grande relevância, como o julgamento de Claude Guéant, ex-ministro do Interior, por fraude fiscal.

Formada em contabilidade e inicialmente auditora, De Perthuis inspirou-se na juíza investigadora Eva Joly para seguir a carreira judicial. A ascensão ao cargo de juíza de instrução e, posteriormente, à presidência da 11.ª Câmara do Tribunal de Paris, permitiu-lhe lidar com alguns dos casos mais emblemáticos de corrupção e fraude financeira de França. A postura imparcial e rigorosa no tribunal é amplamente reconhecida, nunca se tendo envolvido em questões partidárias, mantendo-se sempre distante da política.

Marine Le Pen, a líder do Reagrupamento Nacional, foi impedida na segunda-feira de se candidatar às presidenciais francesas de 2027, tendo ainda sido condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais irá cumprir em prisão domiciliária com pulseira eletrónica e multa de 100.000 euros.

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