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Bolsonaro e Trump denunciam perseguição contra Marine Le Pen

Agência Lusa , AM
1 abr 2025, 06:25
Marine Le Pen (EPA)
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Ccondenada na segunda-feira por desvio de fundos do Parlamento Europeu, Le Pen declarou-se vítima de uma sentença "política" que visa impedir "a favorita para as eleições presidenciais de poder candidatar-se" em 2027

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (2019-2022) condenou o que chamou de perseguição à líder histórica da extrema-direita francesa Marine Le Pen, condenada a cinco anos de inelegibilidade por desvio de fundos públicos.

"Espero e torço para que a senhora Le Pen vença essa perseguição e possa disputar as próximas eleições presidenciais" em 2027, escreveu Bolsonaro, na segunda-feira, na rede social X.

"O povo é quem deve decidir quem será o próximo Presidente da França em 2027", acrescentou o político de extrema-direita, também condenado à inelegibilidade política no Brasil.

"O crescimento da Direita é uma realidade em todo o mundo. A esquerda na França, como no Brasil, opta pelo caminho do 'lawfare', do ativismo judicial, para buscar eleições sem oposição", defendeu Bolsonaro.

A 'lawfare' é "a utilização intencional do direito para atingir um determinado objetivo estratégico, operacional ou tático contra um determinado adversário", disse à Lusa em fevereiro a especialista norte-americana Jill Goldenziel.

"Acredito que a inelegibilidade de Marine Le Pen segue a mesma cartilha também da Venezuela, onde a oposição de [o Presidente Nicolás] Maduro, Maria Corina [Machado], ficou fora da cédula eleitoral por uma absurda inelegibilidade de 15 anos", disse Bolsonaro.

Trump compara processos judiciais de que foi alvo

Por sua vez, o Presidente norte-americano, Donald Trump, comparou aos seus processos judiciais à condenação de Marine Le Pen.

"Parece o nosso país, parece-se muito com o nosso país", disse Donald Trump à imprensa na Casa Branca na segunda-feira.

Para o Presidente norte-americano, o caso de Marine Le Pen "é muito importante".

Declarado culpado no estado de Nova Iorque por pagamentos ilegais a uma ex-atriz pornográfica, Trump tornou-se o primeiro condenado a chegar ao cargo de Presidente norte-americano.

Foi investigado em vários outros casos, mas estes caíram com a sua eleição, nomeadamente o de interferência eleitoral após a sua derrota em 2020, que culminou no assalto por apoiantes seus ao Capitólio.

O protocolo do Departamento de Justiça dita que chefes de Estado em funções não devem ser investigados, pelo que a vitória eleitoral de 2024 significou também uma vitória judicial para Trump, que além do processo por interferência eleitoral era acusado de desviar documentos confidenciais.

Este caso envolveu uma busca da agência federal de investigação criminal (FBI) em 2022 à sua propriedade de Mar-a-Lago, Florida.

Le Pen, líder do grupo parlamentar da União Nacional (RN, na sigla em francês), foi condenada na segunda-feira pelo Tribunal de Paris a quatro anos de prisão, dois dos quais não suspensos e sujeitos a um sistema de vigilância eletrónica, a uma multa de 100.000 euros e a cinco anos de inelegibilidade, a cumprir imediatamente e aplicados mesmo em caso de recurso.

A potencial candidata presidencial da RN e oito eurodeputados franceses da União Nacional foram considerados culpados de terem desviado fundos públicos do Parlamento Europeu.

Antes das declarações de Trump, o Departamento de Estado considerou "particularmente preocupante" a "exclusão de candidatos do processo político", reagindo à sentença de Le Pen.

"A exclusão de indivíduos do processo político é particularmente preocupante, dada a guerra judicial agressiva e corrupta que está a ser travada contra o Presidente Donald Trump aqui nos Estados Unidos", disse aos jornalistas a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce.

Questionada durante um briefing no Departamento de Estado, Bruce escusou-se a comentar diretamente a condenação de Marine Le Pen, mas afirmou que "é necessário fazer mais no Ocidente para defender os valores democráticos".  

Recordou ainda o discurso do vice-Presidente norte-americano em fevereiro na conferência de Munique, em que JD Vance apoiou abertamente aos pontos de vista dos partidos populistas europeus.

"Em toda a Europa, a liberdade de expressão, receio, está a recuar", afirmou Bruce.  

Bruce contestou mesmo a descrição que um jornalista fez de Le Pen como sendo de "extrema-direita", afirmando que o termo poderia ser considerado "depreciativo".

Marine le Pen, condenada na segunda-feira por desvio de fundos do Parlamento Europeu, declarou-se vítima de uma sentença "política" que visa impedir "a favorita para as eleições presidenciais de poder candidatar-se" em 2027.  

Numa entrevista televisiva ao canal TF1, em que reagiu pela primeira vez à sentença judicial que a inabilita para cargos públicos durante cinco anos, Le Pen qualificou a mesma de "política" e denunciou práticas "reservadas aos regimes autoritários", prometendo lutar pela candidatura presidencial dentro de dois anos.

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) francês manifestou a sua "preocupação com as reações virulentas" perante a condenação de Marine Le Pen, considerando-as "suscetíveis de comprometer gravemente a independência do poder judicial".

O papel do CSM é garantir a independência dos magistrados em relação ao poder executivo.

As reações a contestar a deliberação chegaram também de líderes europeus nacionalistas e de extrema-direita, como o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, o líder da Liga italiana, Matteo Salvini, o líder do partido espanhol Vox, Santiago Abascal.

Nos Países Baixos, o líder do partido de extrema-direita, Geert Wilders, considerou a decisão "incrivelmente dura", e o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dimitri Peskov, disse que este desfecho no tribunal é uma clara "violação das normas democráticas".

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