A líder histórica da extrema-direita francesa, Marine le Pen, declarou-se vítima de uma sentença "política" com o objetivo de a " impedir de poder candidatar-se às eleições presidenciais " em 2027
Marine Le Pen criticou duramente, esta segunda-feira, a decisão do tribunal de a condenar por desvio de fundos do Parlamento Europeu. A presidente do partido União Nacional (RN) classificou a condenação como uma "violação do Estado de direito" e um "escândalo" para qualquer pessoa que "acredite na democracia".
Numa entrevista televisa à TF1, Le Pen acusou o tribunal de parcialidade, ao ser determinada a execução provisória da sua inelegibilidade para cargos públicos durante cinco anos, uma decisão que, segundo a própria, foi tomada "sob influência política" com o objetivo definido de a afastar da corrida às presidenciais de 2027.
“A magistratura assumiu muito claramente que vai aplicar a execução provisória da inelegibilidade, ou seja, na realidade, tornar inútil o meu recurso sobre este assunto para me impedir de candidatar”, declarou.
A decisão, segundo Le Pen, tem como base a lei Sapin 2, que prevê a execução provisória da inelegibilidade. No entanto, a líder do RN argumenta que essa legislação foi aprovada depois dos factos que lhe são imputados e que, por isso, não deveria ser aplicada ao seu caso.
A líder do RN prometeu recorrer “o mais rapidamente possível” e garante que milhões de franceses estão "indignados" com o que considera um ataque à democracia.
“Esta noite, há milhões de franceses indignados a um nível inimaginável, por verem que os juízes puseram em prática medidas que pensávamos estarem reservadas aos regimes autoritários. Não me vou deixar eliminar facilmente”, afirma.
Le Pen descreveu a sua condenação como um “dia trágico” para a democracia francesa e acusou a justiça de interferir nas eleições presidenciais ao afastar, a candidata que, segundo a própria, é "hoje considerada a favorita".
No entanto, Le Pen insiste que a condenação não marca o fim da sua carreira política, prometendo "lutar até ao fim".
“Estou inocente. Considero que este processo foi movido por adversários políticos e se baseia em argumentos inválidos. Não há enriquecimento pessoal, não há corrupção, não há nada disso", garante.
Quando questionada sobre um possível substituto caso seja impedida de concorrer, Le Pen assegurou que Jordan Bardella, atual presidente do RN, é um “ativo valioso” para o movimento, mas evita falar de um “plano B”.
Le Pen afastou também a hipótese de aceitar um cargo no governo francês, caso a inelegibilidade se confirme.
“Não estou nesse estado de espírito. Não estou pronta para me submeter a uma negação da democracia tão facilmente”, conclui.
