“O Mistério de Marilyn Monroe” revisita a sua vida e morte 60 anos depois através de gravações inéditas

CNN , Análise de Brian Lowry (artigo originalmente publicado em abril)
5 ago, 08:00
Marilyn Monroe

Olá, outra vez, Norma Jean. No 60º aniversário da morte de Marilyn Monroe, temos a oportunidade para revisitar a sua vida, bem como o seu legado. No entanto, isso não acrescenta nada de novo ao que já se sabe. "O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas" centra as atenções nas entrevistas gravadas com aqueles que conheciam a atriz. Contudo, a importância das mesmas acaba por ser anulada devido à forma algo desajeitada como são apresentadas.

As gravações são cortesia de Anthony Summers, autor do livro de 1985 sobre Monroe, "Goddess". As entrevistas incluem uma grande variedade de pessoas que cruzaram o caminho da diva. Aqui, é-nos oferecida a possibilidade de ouvir pequenos fragmentos das conversas com os diretores John Huston, Billy Wilder e Jane Russell, a co-estrela do filme "Os Homens Preferem as Loiras”.

Infelizmente, o documentário compromete a imagem dos entrevistados, pois dizia-se que outras pessoas fingiam ser os atores, ao usarem sincronização labial. Isto foi uma tentativa, de certa maneira inútil, de dar aos espectadores a ideia de que estavam a ver o outro lado dessas conversas. Uma vez que há muitos vídeos e filmagens de Monroe, acrescentar-lhes o “glamour” próprio deste meio só serve para desacreditar o projeto.

Além disso, a diretora Emma Cooper dedica grande parte da última metade do filme à parte "misteriosa" do título, bem como às décadas de especulação sobre se a sua morte, em 1962, foi um suicídio, uma overdose acidental ou, como Summers diz, "algo mais sinistro".

Inevitavelmente, essa conversa volta-se para as supostas relações de Monroe com John e Robert F. Kennedy. Este assunto serviu, ao longo dos anos, como tema de um número interminável de documentários e filmes televisivos.

À esquerda, Marilyn Monroe com Robert Kennedy e John Kennedy, na noite da celebração do aniversário deste último, em 1962.


Por mais bem documentado que tudo isso tenha sido, é difícil evitar que haja um certo fator desprezível na narrativa. As reencenações, de certa forma desagradáveis, certamente não ajudam nisto. Há também algumas escolhas intrigantes, como mostrar a sobejamente conhecida atuação de Monroe a cantar os “Parabéns” ao presidente, meses antes da sua morte. No entanto, a resposta divertida por parte de JFK não foi incluída aqui.

Na verdade, a ênfase nos Kennedys quase serve como uma distração, de maneira a que não se oiçam as observações mais intrigantes, como Huston a citar a trajetória descendente de Monroe desde o filme “Quando a Cidade Dorme" até "Os Inadaptados", que ele realizou com 11 anos de diferença. De igual modo, não se presta atenção ao facto de Wilder falar das dificuldades que sentiu ao trabalhar com a atriz, que ele dirigiu em dois dos seus melhores filmes: "O Pecado Mora ao Lado" e "Quanto Mais Quente Melhor. Ele diz: “Eu não tive problema algum com a Marilyn Monroe. Ela teve problemas consigo mesma.”

Por sua vez, em entrevistas gravadas, Monroe fala sobre o seu desejo de ser feliz, bem como a vontade de ser uma boa atriz. Em retrospetiva, ela dizia isto com alguma tristeza: "Temos de trabalhar em ambos."

Como outras estrelas que morreram jovens, Monroe parece ter parado no tempo. As intrigas em torno dela, bem como dos homens famosos com quem namorou e casou, alimentam as teorias da conspiração. Tudo isto garante que, mesmo após seis décadas, a atriz continua a ser notícia. Isto inclui uma recente série documental da CNN. Como a crítica de cinema Christina Newland escreveu: "É extremamente difícil vermos a Marilyn Monroe como um ser humano de verdade."

Nesse sentido, ver “O Mistério de Marilyn Monroe" serve como um lembrete, tal como o tributo musical que Elton John fez, de que a sua vela ardeu muito antes de as pessoas beneficiarem dela.

"O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas" está disponível na Netflix.

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