Mortágua não se demite e justifica "grande derrota" do BE com a "viragem à direita no mundo". "Não escolhemos os tempos em que calhamos viver"

19 mai 2025, 00:00

Líder do Bloco soube que foi eleita ao mesmo tempo que respondia às perguntas dos jornalistas. E foi mesmo a única eleita - vai estar a sós, tal como o PAN e... o JPP

Mariana Mortágua começou o discurso de reação ao resultados eleitorais sem ter naquela altura qualquer deputado eleito. Iniciou por se referir ao grande crescimento da direita em Portugal e assumiu primeira a derrota coletiva: “A esquerda tem uma derrota importante”. Depois assumiu a derrota individual:  “O Bloco de Esquerda tem uma grande derrota esta noite e é importante assumirmos essa derrota com toda a humildade e frontalidade”.

Para Mortágua, esse é o “primeiro passo para a reflexão” e para as aprendizagens que têm de ser retiradas da campanha que a sua direção construiu - campanha essa a que a líder do BE se referiu assim: "Foi uma boa campanha".

Ainda assim: uma "boa campanha" traduziu-se apenas num único deputado, a própria Mariana Mortágua. Que recusa demitir-se. “Encabeço uma moção às próximas eleições do BE e mantenho esse compromisso - nos momentos bons e nos momentos mau”.

A líder do Bloco, que soube que foi eleita ao mesmo tempo que respondia às perguntas dos jornalistas, deu uma garantia - a de que “o BE está aqui, estamos todos cá, estamos todos cá aqui”.

Depois agradeceu a toda a gente que “confiou e votou no Bloco”. “A todos, deixamos uma nota de esperança para o futuro. Temos muito trabalho pela frente, para construir a esquerda, alargá-la, e enfrentar a extrema-direita. Cá estaremos”. 

Mortágua acabou por responsabilizar o resultado também naquilo que defendeu ser uma “viragem à direita no mundo, na Europa e em Portugal”, que, diz, “leva consigo muito mais do que votos e deputados da direita, leva também esperança e arrasta a ideologia de medo e de ódio”.

“Não escolhemos os tempos que calhamos viver”, afirmou Mortágua, que falava aos apoiantes na Casa do Alentejo, em Lisboa, local que o partido escolheu para a sua noite eleitoral.

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